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Receber recursos de fundos melhora saúde financeira do negócio, mas é preciso saber usar

Brasil Econômico

O empresário Marcelo Blay esteve focado em 2011 no lançamento de sua corretora on-line, a Minuto Seguros. Antes mesmo de começar a vender as apólices pela internet, em janeiro do ano seguinte, foi assediado por três fundos que queriam ser sócios.

Quando decidiu captar recursos, então, recebeu nada menos do que 42 propostas. Escolheu, em setembro de 2012, o aporte da Redpoint e-ventures e passou a contar com um volume expressivo de dinheiro para gerir.

“Como eu tinha um plano de negócios bem feito, para dez anos, sabia muito bem onde iria alocar o dinheiro, por isso que conseguimos o interesse do fundo”, explica o empresário, que indica exercícios maçantes de orçamento a quem quer contar com esse tipo de sócio.

Marcelo Blay: crescimento de 30% nas vendas depois de aporte
Brasil Econômico/Murillo Constantino
Marcelo Blay: crescimento de 30% nas vendas depois de aporte

“O empresário tem realmente de gastar o tempo planejando e, quando receber o dinheiro, saberá onde usar. Porque a tentação para gastar é grande e a possibilidade de perder o foco também”, aponta. Depois da entrada do fundo em seu negócio, Blay conseguiu fazer com que as vendas de novas apólices subissem 30%. O dinheiro foi usado para aplicar em tecnologia, assunto que é especialidade do fundo escolhido.

Blay faz parte de um grupo de empreendedores que conta com o apoio de fundos de investimento para alavancar o seu negócio. Esses fundos de participação em empresas irrigaram o mercado da América Latina com US$ 7,9 bilhões em 2012, sendo 72% deste total no Brasil.

A conta leva em consideração aportes de fundos de venture capital (para pequenas e médias empresas) e private equity (para empresas maiores). Existem, ainda, os fundos de capital semente (para empresas em estágio inicial, muitas vezes pré-operacionais). O recebimento de um aporte é apenas o começo de um exercício de disciplina para os empresários, que devem ter ainda mais cuidado ao gerir o dinheiro.

Silvio Ferreira de Souza: passou de duas para sete filiais após novo investimento
Divulgação
Silvio Ferreira de Souza: passou de duas para sete filiais após novo investimento

Os fundos também ajudam neste controle. Silvio Ferreira de Souza, sócio-fundador do Balcão de Empregos.com, afirma que desde que recebeu o aporte da Vox Capital tem metas e prazos estabelecidos a cada seis meses. “O aporte vai acontecendo ‘picado’”, afirma o empresário.

A empresa foi criada em 2003 por Souza e Carlos Alberto Krause, para atuar com anúncio pela internet de vagas de empregos e estágios e com o cadastramento e divulgação de currículos de candidatos, com foco no mercado de trabalho para as classes C, D e E.

Ele conta que a entrada do fundo no negócio foi interessante muito mais pela experiência e conhecimento que trouxe. “Não precisávamos de dinheiro para chegar onde queríamos, mas demoraríamos mais para isso”, diz. Antes da entrada do fundo, no primeiro semestre de 2012, a empresa tinha duas filiais e agora conta com sete. Até o final do ano pretende abrir mais 23.

O bom gerenciamento do recurso garante a soberania do empresário no negócio, uma vez que, para tentar salvá-lo, o fundo acaba fazendo aportes adicionais, o que diminui a participação do empreendedor em sua empresa. “Não é a maioria, mas existe esse caso”, diz Alessandro Saade, professor da BSP (Business School São Paulo).

Isso acontece também quando o empresário perde o tempo de ir a mercado, chamado de ‘time to market’, que consiste no período entre ter uma ideia e vendê-la. “Quanto mais curto, mais chance de o negócio dar certo, mas às vezes demora e o negócio se torna obsoleto.”

Segundo Saade, é comum o empresário receber o dinheiro e sofrer a tentação de comprar o melhor para a empresa. “Ele começa a perder os pudores de gastar, porque está sobrando. Mas na verdade não está sobrando. O dinheiro serve para cuidar da empresa até dar lucro.” A conta que o empresário deve fazer é captar recursos que cubram o investimento em capital físico (como computadores), se houver necessidade, e os custos fixos até conseguir retorno.

Magnus Arantes, líder do Harvard Business School Alumini Angels of Brazil, diz que a melhor recomendação é o empreendedor entender aquele dinheiro como uma dívida, que um dia terá de ser paga. “Conheço muitos fracassos, mas eles não são muito publicados, o que cria uma falsa impressão de sucesso garantido.”

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