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Rotina dos profissionais responsáveis por cobrança de dívidas envolve insultos, agressão e ameaças por quem tem contas atrasadas

Como cobradora de dívidas de longa data, Lesllie Rogers tem sido rotineiramente insultada, agredida com obscenidades e ameaçada com violência pelas pessoas que para quem liga.

"Eles querem que você se sinta tão pequena e insignificante quanto possível", disse Rogers, que trabalha para uma agência de cobrança, em Rochester, Minnesota.

Os cobradores de dívida, como Rogers, estão conscientes de que não são muito simpáticos. Mas agora eles estão dizendo chega. A associação comercial que os representa está envolvida em uma ofensiva inédita para mudar sua imagem ruim, ao mesmo tempo que tenta formular as regras que governem como eles deverão enfrentar a perspectiva de um novo e rigoroso órgão regulador da prática.

Estes são tempos de bonança para as agências de cobrança, que foram inundadas com trabalho, conforme muitos americanos entraram em dívidas e, em seguida, se esforçaram para pagá-las.

Mas a indústria tem estado sob fogo por pressionar demais. No ano passado, 140.036 queixas foram apresentadas contra os cobradores de dívidas, um aumento de 17% em relação ao ano anterior, de acordo com a Comissão Federal de Comércio.

As queixas reclamam de telefonemas no meio da noite e ameaças de prisão ou confisco de uma casa. Essas são as exceções, segundo a associação comercial do setor.

Na verdade, Mark Neeb, o novo presidente da associação, insiste que a maioria dos cobradores de dívida são o "sal da terra" e estão cansados de serem definidos pelo piores membros da sua profissão. E são eles que estão se sentindo incomodados.

"Realmente deveria haver uma lei sobre a forma como os consumidores devem se comportar em relação aos cobradores de dívidas", disse Neeb, cujos funcionários rotineiramente usam apelidos ou nomes falsos no telefone para proteger sua identidade de devedores hostis.

Após vários anos em que as táticas que adotavam excesso de zelo por parte dos cobradores de dívidas foram o foco dos reguladores e da mídia, a ACA Internacional aumentou as suas operações de lobby em Washington para tentar conquistar mudanças nas leis e regulamentos que regem a categoria.

Para explicar mais plenamente a profissão para o público, a associação criou um site chamado Ask Doctor Debt (Pergunte ao Doutor Dívida, em tradução livre) que permite aos consumidores fazer perguntas diretamente aos cobradores.

Os líderes da ACA International disseram que apoiam os esforços dos reguladores de reprimir os cobradores de dívidas que não seguem as regras, mesmo que possa ser embaraçoso.

Mas o decoro precisa acontecer nos dois lados, disse Rogers, a cobradora de Minnesota que os devedores conhecem como Melissa Burg, um nome que ela tirou da lista telefônica.

"Em vez de mentir", disse ela, "simplesmente admita que você não tem o dinheiro e nós vamos negociar a partir disso”.

* Por Andrew Martin

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