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IPCA subiu de 0,74%, em maio, para 0,79% em junho; Dados foram divulgados nesta quarta-feira (8), pelo IBGE

O item jogos de azar teve a maior variação individual no grupo despesas pessoais, alta de 30,80%
MAIRA VIEIRA/O TEMPO
O item jogos de azar teve a maior variação individual no grupo despesas pessoais, alta de 30,80%

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do mês de junho apresentou variação de 0,79% acelerando em relação a maio (0,74%). No acumulado dos últimos 12 meses o indicador atingiu 8,89%, mais do que nos 12 meses imediatamente anteriores (8,47%) e chegando ao índice mais elevado no acumulado em 12 meses desde dezembro de 2003 (9,30%).  Em junho de 2014 o IPCA havia registrado taxa de 0,40%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Com este resultado o primeiro semestre do ano fechou em 6,17%, bem acima do que os 3,75% registrados no primeiro semestre de 2014, sendo essa a taxa mais elevada para o período de janeiro a junho desde 2003 (6,64%). 

Mesmo com a alta da taxa básica de juros, a Selic, (com a sexta elevação no fim de maio, para 13,75% ao ano) a política monetária do governo não tem conseguido conter o repique dos preços em um cenário de baixa atividade. A meta do governo é de manter a inflação em 4,5%, com teto de 6,5%, mas o período oficial avaliado é de janeiro a dezembro. A taxa básica de juros alta, como está agora, é utilizada como instrumento inibidor do consumo, o que, em tese reduziria os preços.

Segundo o IBGE, os gastos que mais impactaram nas contas dos consumidores em maio vieram do grupo despesas pessoais, fortemente impactado pelo item jogos de azar que, com variação de 30,80%. A alta dos jogos foi responsável por elevar o índice do mês em, 0,12 ponto percentual (p.p). Considerando os meses de maio e de junho, o aumento foi de 47,50%, reflexo dos reajustes nos valores das apostas, vigentes a partir de 18 de maio. O item empregado doméstico também destaque no grupo, com alta de 0,66%, tendo em vista a importância desta despesa no orçamento das famílias.

Veja a variação dos grupos, de maio para abril:

Alimentos e bebidas: de 1,37%, em maio, para 0,63% em junho

Habitação: de 1,22%, em maio, para 0,86% em junho

Artigos de residência: de 0,36%, em maio, para 0,72% em junho

Vestuário: de 0,61%, em maio, para 0,58% em junho

Transportes: de -0,29%, em maio, para 0,70% em junho

Saúde e cuidados pessoais: de 0,91%, em maio, para 1,10% em junho

Despesas pessoais: de 0,74%, em maio, para 1,63% em junho

Educação: de 0,06%, em maio, para 0,20% em junho

Comunicação: de 0,17%, em maio, para 0,34% em junho

Na segunda colocação na relação dos principais impactos vieram as passagens aéreas, exercendo impacto de 0,10 p.p.. De acordo com os dados do IBGE, embora a alta deste item tenha atingido 29,19% no mês, ele acumula queda de 32,71% no semestre.

Sob pressão das passagens aéreas, o grupo transportes apresentou variação de 0,70%, sendo influenciado, ainda, pelos serviços de conserto de automóvel (1,70%), compra de automóveis usados (0,78%) e tarifas de ônibus urbano (0,40%). Nas tarifas, o resultado é reflexo de parte do reajuste de 12,50% em vigor desde 16 de maio na região metropolitana de Belém (6,72%). A taxa de água e esgoto (4,95%) foi o terceiro item de maior impacto no IPCA de junho (0,07 p.p.), refletindo reajustes São Paulo, 
Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Recife.

O grupo alimentação e bebidas, teve variação de 0,63%, com a cebola registrando o principal aumento, de 23,78%, seguida por batata inglesa (6,97%) e alho (2,61%).

Metodologia para cálculo do IPCA

Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 28 de maio a 29 de junho de 2015 (referência) com os preços vigentes no período de 30 de abril a 27 de maio de 2015 (base). O IPCA, calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do País, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília.