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Entidade de defesa do consumidor explica que consumidor não pode ser prejudicado caso a veja do HSBC Brasil seja concretizada; Sindicato pede cuidado nas divulgações

O banco HSBC anunciou nesta terça-feira (9) que vai encerrar suas atividades no Brasil, o que pode geral a demissão de 21 mil pessoas nos País e desorientar milhares de correntistas. A Proteste (Associação de Consumidores) afirma no entanto, que, apesar do imprevisto, não há motivo para pânico, pois o banco que atua no Brasil tem boa classificação de risco (o que afasta a possibilidade de calote).

Quem comprar o HSBC até pode diminuir o número de agências (atualmente são 850 agências em todo o País), desde que o consumidor não seja prejudicado. Caso o consumidor fique horas na fila porque diminuíram a quantidade de caixas devido a mudança, isso configura má prestação de serviços. Nesse caso, ele deve reclamar a um órgão de defesa do consumidor ou ao Banco Central.

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"O correntista que tem conta no HSBC não pode ser prejudicado com a saída da instituição do mercado brasileiro. Como haverá um período de adaptação, por ora, os clientes continuará a utilizar normalmente os diferentes canais de atendimento, cheques, cartões e demais produtos e serviços", informa a Proteste. Mas esse pode ser o momento de avaliar se não é o caso de mudar de banco, sem esperar que ele seja vendido. A Proteste tem um simulador de conta corrente  que mostra qual o tipo de conta de que banco é o melhor custo-benefício para o cliente.

Para a entidade, a aquisição por qualquer banco não deixa de ser prejudicial ao consumidor, devido a diminuição da concorrência do já pouco competitivo mercado bancário brasileiro. Além da falta de opções, os consumidores são resistentes a mudar de banco, o que dificulta muito a melhoria dos serviços, visto não ser uma concorrência agressiva. O HSBC Brasil atualmente é o sétimo maior banco no País em ativos, sexto entre os de varejo. 

A Proteste lembra duas situações semelhantes vividas recentemente pelo setor bancário doméstico: a fusão do Itaú e Unibanco e a aquisição do Banco Real pelo Santander. Nesses dois casos, lembra a entidade, não houve prejuízos significativos para os consumidores."De qualquer forma, a qualidade do atendimento deve ser assegurada. Pacotes de serviços, empréstimos, financiamentos, juros acertados e investimentos, tudo deve ser mantido conforme acertado nos contratos com o consumidor", ensina.

Segundo o comunicado do HSBC Brasil, o banco planeja manter uma participação no Brasil para atender a grandes clientes corporativo e pretende economizar entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões até 2017 com o plano de reestruturação.

O HSBC esclareceu em nota que está sob processo de venda, mas ainda não de encerramento de operações no país, e que continuará operando normalmente mesmo após a venda.

Caso o banco seja vendido, o cliente precisa verificar se o serviço prestado pela nova instituição é do interesse dele, se vai ser mantido o mesmo relacionamento que já existe com o gerente, e acompanhar o que vai ser feito daqui para frente. É importante que o consumidor fique atento e procure o gerente para conversar, mesmo que as mudanças não sejam imediatas.

Sindicato dos Bancários pede mais cuidado nas divulgações

Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) manifesta preocupação com o clima de intranquilidade gerado pela notícia sobre a venda de um grande banco no Brasil, o HSBC, que pode resultar em milhares de demissões. Na avaliação da Contraf-CUT, a instituição bancária deveria ser mais cuidadosa na concessão de entrevistas para que o clima de insegurança não se espalhe entre a clientela e os trabalhadores.

Ao anunciar ontem que o HSBC encerrará suas atividades no Brasil e na Turquia, até o dia 31 de dezembro de 2016, a imprensa informou que obanco inglês reduzirá em 50 mil o número de trabalhadores em suas agências espalhadas pelo mundo. Segundo a Contraf-CUT, o banco alega, no entanto, que palavras de seu presidente-executivo, Stuart Gulliver, teriam sido “distorcidas”.

Escândalo internacional causa dificuldades e danos à imagem do HSBC

O anúncio da venda foi feito cinco dias após o banco ter fechado um acordo com as autoridades da Suíça e vai pagar 40 milhões de francos suíços – cerca de R$ 134 milhões – para encerrar as investigações de lavagem de dinheiro na filial suíça da instituição. De acordo com o promotor-chefe de Genebra, Olivier Jornot, o acordo resultou no maior confisco já feito pela corte da cidade suíça. 

No Brasil, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investiga depósitos externos de brasileiros no HSBC e a participação do banco no escândalo que ficou conhecido como Swissleaks, que envolve o vazamento de informações sobre milhares de contas secretas na filial suíça do HSBC — fruto de investigação de um consórcio internacional de jornalistas, em parceria com o jornal francês Le Monde.

O episódio envolve depósitos totais de mais de US$ 100 bilhões, mantidos em agência do HSBC em Genebra por cerca de 106 mil clientes de 203 países, referentes aos anos de 2006 e 2007. Dados divulgados pela imprensa indicam que o Brasil é o nono país com o maior valor depositado (US$ 7 bilhões) e o quarto maior em número de clientes no 


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