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O jeito de dividir e administrar as contas do casal pode ser determinante para o sucesso da relação – tanto no campo afetivo quanto no financeiro

O dia mais romântico do ano chegou. Ainda que interrompido pela abertura dos jogos da Copa do Mundo, o fato é que muitos apaixonados aproveitam o Dia dos Namorados para dar um passo adiante no relacionamento.

Decidir viver junto é uma evolução importante. Com ela, as responsabilidades também avançam. Não é só curtir a vida a dois, lavar a louça e arrumar a casa – é também dividir as contas, os planos, os investimentos e as dívidas.

Vocês não precisam ter origem sociais similares, tampouco contra-cheques iguais, mas é conveniente que vejam o futuro de forma parecida. O grande amor da vida não se escolhe por critérios da psicologia econômica, então a saída e conversar sempre. E não tem jeito: dificilmente começar a falar disso será um processo leve e tranquilo. Dinheiro sempre foi um tabu. Tirá-lo deste posto improdutivo caberá a vocês dois.

“O dinheiro é frio e racional, o relacionamento é uma emoção calorosa. A gente fica com a sensação de que as coisas não se misturam, mas as finanças também são um dos pontos principais da relação”, pontua Adriana Rodopoulos, especialista em psicologia econômica. “Quando esse aspecto não vai bem, todo o resto fica comprometido. Você gasta energia demais decidindo como administrar as dívidas e os problemas financeiros e acaba sem energia para fazer carinho e estar junto.”

Por isso, converse antes de o problema bater à porta – e transparência é a alma do negócio. “Isso não é uma sociedade com fins lucrativos em que você precisa se proteger do sócio. Se começarem escondendo as receitas e os gastos, já estão começando errado”, diz a especialista. 

Todos os acordos têm de ser combinados antes da união e, é claro, esse “contrato” terá de ser revisto quantas vezes forem necessárias. “Todos estão sujeitos a um aumento, a uma demissão, a uma iniciativa empreendedora. Sempre que um dos dois estiver desconfortável, o acordo tem de ser revisto”, lembra Regina Silva, a psicóloga e consultora do Gyraser Centro de Desenvolvimento.

Confira os três conselhos da psicóloga Regina Silva para casais que não querem brigar por causa de dinheiro

Tudo começa com a definição sobre a forma como as contas serão divididas
Getty Images
Tudo começa com a definição sobre a forma como as contas serão divididas

1 – Decida a divisão das contas

Há casais que ficam mais confortáveis com cada um se responsabilizando por 50% das contas a pagar. No entanto, costuma ser menos dolorido financeiramente dividir a contribuição por uma parcela do salário. “Os dois crescem juntos se, por exemplo, cada um oferecer uma porcentagem do que ganha e ambos se encaixarem neste orçamento”, explica Regina. “Um poderá viajar, outro não, um começa a se endividar, outro está bem de vida. Isso não ajuda o casal.”

Exemplo: o marido ganha R$ 10 mil e a mulher ganha R$ 50 mil. Se as contas de casa somarem R$ 15 mil, cada um pode oferecer R$ 7,5 mil e as contas estão divididas ao meio. No entanto, a capacidade da mulher de poupar e de usufruir de opções mais caras de lazer acaba criando um desnível entre os cônjuges. A sugestão é cada um ofertar 25% da receita – R$ 12,5 mil dela e R$ 2,5 mil dele.

Uma conta conjunta pode evitar a fiscalização excessiva
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Uma conta conjunta pode evitar a fiscalização excessiva

2 – Adote a conta conjunta

A conta conjunta deverá receber a parcela de cada um. Com o montante, deverão ser pagas as contas da casa e da família. Contas de água, luz, gás, televisão a cabo, internet, supermercado deverão ser quitadas com este fundo. As despesas pessoais, roupas, futebol, bar com os amigos e até os convites para jantar deverão ficar com a conta pessoal. Quando não houver consenso sobre a decisão de compra, o dono da vontade se responsabiliza. “Isso evita que uma personalidade dominante fique cobrando, controlando e infernizando o outro”, diz Regina

Exemplo: O jantar de aniversário de casamento, quem convidou paga – o presente dos filhos também. A banda larga caríssima de altíssima velocidade que só ela quer e ele acha desnecessário, ela paga.

Reserva protege o casal de imprevistos
Thinkstock/Getty Images
Reserva protege o casal de imprevistos

3 – Investimento também é conjunto

Não são somente as contas que exigem esforço conjunto. Combine um depósito mensal, que também pode ser uma parcela da receita. Ambos devem direcionar o dinheiro ao mesmo investimento, que terá como objetivo o financiamento de viagens de família, a poupança da criança, ou a aplicação para financiamento da faculdade dos filhos. “Ideal é viver com 60% do que ganhamos entre gastos da casa e pessoais. O restante vai para fundo de emergência e aplicações diversas”, pontua Regina.

Exemplo: um presente de casamento dado pelos dois, um imprevisto com o carro ou até um problema com eletrodomésticos deverão ser custeados com esse fundo conjunto.

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