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Necessidade de desencalhar estoques nos lançamentos em exposição gera mercado paralelo de mobiliário e peças decorativas. Segmento arrecadou R$ 25 milhões em 2013

O boom do setor imobiliário abriu espaço para um novo mercado no Brasil: os leilões virtuais de móveis e objetos de decoração dos apartamentos em exposição nos canteiros de obras. Em todo o País, o segmento arrecadou R$ 25 milhões em 2013.

Modelo de apartamento decorado no empreendimento Liverpool Reserva Inglesa, em Manaus (AM), da Rossi
Rossi
Modelo de apartamento decorado no empreendimento Liverpool Reserva Inglesa, em Manaus (AM), da Rossi

Construtoras passaram a esvaziar seus estoques, antes encalhados. Foram quase 700 leilões desde 2008, realizados em 60 cidades, de acordo com Henri Zylberstajn, sócio diretor e co-fundador da Sold Leilões, empresa que concebeu a ideia e hoje agrega e administra as operações no segmento.

“As incorporadoras precisavam se livrar dos móveis e utensílios expostos, que geravam custos com armazenagem e transporte. O leilão virtual foi uma solução prática para o problema”, conta o executivo.

A Sold iniciou as vendas online com Gafisa e Cyrela, duas entre as maiores de mercado, até montar uma estrutura maior para atender à demanda de outras construtoras de peso, como Camargo Corrêa, Delta, Bueno Netto e Trisul.

Para atender a uma média de 30 leilões de decorados por mês, a casa de leilões passou a dispor de equipes em 16 Estados, onde encontram-se as obras das incorporadoras. Somente de itens de imóveis decorados, o segmento leiloa em torno de 10 mil peças por mês.

Desconto chega a 90% no lance inicial

“No lance inicial, as peças são ofertadas com uma média de 90% de desconto em relação ao valor de mercado, e são vendidas por cerca de 50% do preço no lance final”, conta Zulberstajn.

Os itens mais disputados, pontua o executivo, são eletrodomésticos novos, que nem foram ligados, como televisão, máquina de lavar e geladeira. Estes itens chegam a receber 30 lances cada.

Uma lavadora e secadora da Marca Samsung, ofertada em sites de comércio eletrônico por R$ 2.470, foi anunciada a R$ 400 no lance inicial da construtora Even – e já havia recebido 56 lances a três dias do fim do leilão. O último valor visualizado era de R$ 1.540.

Em seguida, objetos de decoração são os mais procurados, revela a Sold, especialmente os que não precisam de grande esforço para o transporte, como poltronas, tapetes e cadeiras.

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No caso de mesas e sofás, cabe ao comprador providenciar um serviço de transporte para retirar o produto no local do lançamento, na data estipulada pelo leilão. Cerca de um terço dos clientes contrata um serviço de carreto, ao passo que o restante leva os objetos por conta própria, diz o co-fundador da Sold.

Retorno do valor investido chega a 80%

Com o dinheiro arrecadado nos leilões, as construtoras o utilizam para fins diversos, conforme sua política. Grande parte aproveita para comprar objetos de novos decorados ou destina a verba para divulgação de outros lançamentos. A economia com transporte e remoção também gera receita extra para as incorporadoras e construtoras.

Varanda gourmet decorada para exposição em obra da Rossi: tudo vai a leilão
Rossi
Varanda gourmet decorada para exposição em obra da Rossi: tudo vai a leilão

Na Rossi, os leilões virtuais garantem um retorno de até 80% do total investido nos decorados, conta o diretor regional da construtora, Gustavo Kosnitzer. São feitos cerca de 12 leilões por ano.

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“Já fizemos leilões presenciais, mas a participação era baixa. Pela internet a venda é mais rápida e os estoques se esgotam”, diz o executivo da empresa, que passou a montar decorados em todos seus empreendimentos.

Na Even, os leilões que acontecem entre duas e três vezes por ano permitem à incorporadora recuperar em torno de 50% do investimento com imóveis decorados. “O retorno pode variar, dependendo do tipo de material e estado dos objetos”, conta o diretor de Incorporação da construtora, Marcelo Dzik.

Esfriamento do mercado aumenta estoque nos leilões

Segundo o co-fundador da Sold, os leilões de decorados têm crescido, mas não a taxas vistas entre 2010 e 2012, que chegavam a 50% ao ano. “O estoque disponível para as operações aumenta na medida em que o mercado de construção civil começa a esfriar”, observa.

No último ano, o crescimento dos leilões ficou em torno de 15%, segundo Zylberstajn. "A venda dos objetos acompanha a velocidade das vendas de unidades nos lançamentos".