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Após a febre das compras coletivas, os vouchers com ofertas já geraram vendas de R$ 4 milhões na internet. Consumidor deve ficar atento a cobranças indevidas e datas de validade

Grandes redes de varejo aderiram aos cupons de desconto
Thinkstock/Getty Images
Grandes redes de varejo aderiram aos cupons de desconto

Os caçadores de ofertas na internet têm agora um novo instrumento para pechinchar. Após a febre das compras coletivas, os cupons de desconto são a nova sensação no mundo virtual. Desde o ano passado, grandes redes de varejo aderiram ao recurso para incrementar as vendas online, e empresas que fazem a ponte entre a loja e o consumidor passaram a faturar com o negócio.

Este mercado já gerou uma economia de R$ 1 milhão ao consumidor brasileira em apenas um dos sites que divulgam os cupons, a Cuponomia. Isso desde seu lançamento – setembro de 2012 – até junho deste ano. Para o e-commerce, as vendas representaram R$ 4 milhões no Brasil por intermédio do site.

Por atrair mais clientes às lojas de varejo, as empresas que reúnem os cupons recebem uma recompensa entre 3% a 5% das vendas geradas nas promoções, segundo Antonio Miranda, fundador da Cuponomia. “Esperamos gerar mais R$ 36 milhões em vendas para a lojas até o fim do ano”, diz o empresário.

Além dos sites, as redes sociais também viraram um canal para disponibilizar os cupons. A loja virtual da Casas Bahia, por exemplo, passou a disponibilizar os códigos de descontos em sua página no Facebook no primeiro trimestre deste ano.

A rede Kanui, que vende artigos esportivos e de moda, afirma que os vouchers de desconto servem de atrativo para novos clientes. Mas a empresa prefere evitar excessos. "É importante ter um controle da divulgação dos vouchers, pois não queremos viciar o consumidor a comprar somente com eles", afirma Felipe Sulimam, diretor de branding da empresa.

Cupom não é compra coletiva

Embora ofereçam promoções semelhantes, os cupons são bem diferentes dos sites de compra coletiva. Enquanto aqueles fazem ofertas sobre produtos (como livros, eletrodomésticos, roupas e comésticos), estes focam em serviços (viagens, cabeleireiro e depilação, por exemplo). Os códigos de desconto são mais utilizados por grandes empresas de varejo como Americanas, Dafiti, Centauro ou Netshoes. Já os sites de compras coletivas fazem parcerias com empresas menores e menos conhecidas.

Outra diferença das compras em conjunto em empresas como Peixe Urbano, Groupon e Clickon é que elas são feitas com antecedência nos próprios sites, enquanto que nos cupons não há relação comercial com os sites que divulgam as promoções. Nestes casos, o desconto é dado pela própria loja. A semelhança entre as duas formas de pechincha é que as ofertas expiram dentro de um prazo.

Cuidados ao comprar o cupom

Antes de adquirir produtos com desconto na internet, é preciso tomar alguns cuidados para evitar dor de cabeça, recomenda a coordenadora da Fundação Proteste, Maria Inês Dolci. A primeira dica é saber que todo consumidor tem o direito garantido pelo Código de Defesa do Consumidor de arrepender-se da compra e devolver o produto num prazo de sete dias.

“Há empresas que criam regras próprias para dificultar a conversão desses cupons em novas compras”, alerta Maria Inês, que orienta ler todas as regras estabelecidas antes de fazer a transação.

Também é preciso ter cautela com descontos anunciados no site da loja por um valor menor que  o divulgado em outros canais da internet. Se isso ocorrer, pode-se reclamar com a loja ou procurar órgãos de defesa do consumidor para exigir o maior desconto.

Prestar atenção ao prazo da promoção é outra dica para evitar problemas. Enquanto a promoção estiver anunciada, ela é válida, alerta a coordenadora da Proteste. Se o consumidor puder comprovar o desconto divulgado guardando ou imprimindo as informações, é uma arma para assegurar seus direitos.

É preciso, também, verificar se há possíveis cobranças para utilizar o cupom. “Qualquer custo neste sentido é uma prática abusiva, porque não configura desconto”, alerta Maria Inês.