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Autor do best-seller "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" garante que gastadores e poupadores podem ser felizes juntos, desde que conheçam suas diferenças

Cerbasi: o gastador compulsivo sente-se mais seguro com o poupador
Divulgação
Cerbasi: o gastador compulsivo sente-se mais seguro com o poupador

Ele não come em restaurantes e passa longe de shoppings. Preocupado com o futuro, sacrifica gostos pessoais para juntar o máximo de dinheiro. Ela, por outro lado, sai para comprar um par de sapatos e volta com seis sacolas. Gasta mais do que ganha e desconhece a palavra poupança. Os dois estão apaixonados. Este casal pode dar certo?

Sim, na opinião de Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor do livro "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos". Em evento de educação financeira do Vida Investe, promovido pela Fundação Cesp, ele afirmou que casais com perfis diferentes geralmente se completam, contanto que reconheçam suas diferenças e controlem os excessos.

A fase do namoro é quando o casal se entende melhor. “O gastador compulsivo sente-se mais seguro com o poupador, por ter encontrado alguém que anda nos trilhos. E o poupador aprende a ser mais flexível com o gastador, passando a viver melhor”, afirma o consultor.

Mas após o casamento, a tendência é que os perfis se acentuem, o que pode gerar problemas. "Aquele que poupa sente-se ameaçado pelo que gasta demais, passando a poupar ainda mais. O gastador, por sua vez, acentua seus impulsos consumistas".

Traição financeira

Se não houver diálogo, é neste ponto que surge a traição financeira, segundo Cerbasi. Ela vai além de uma pequena mentira sobre gastos por impulso. Acontece quando o parceiro esconde um comportamento recorrente que não consegue controlar.

Para evitar que a relação chegue a este ponto, Cerbasi recomenda que o parceiro, antes de tornar-se "infiel", abra o jogo o quanto antes com o companheiro. “Toda conversa entre casais sobre dinheiro deveria começar não com acerto de contas, mas com a pergunta: 'você está feliz'?”, sugere.

Conta conjunta é bom negócio?

Se o casal concorda no planejamento financeiro e consegue cumprir o que combina, abrir uma conta conjunta é a solução ideal para ambos, na opinião do consultor. O benefício de unir as finanças é o custo menor cobrado pelos bancos e menos burocracia.

Mas se um dos cônjuges não consegue ter disciplina e sempre perde o controle dos gastos, manter contas separadas é mais interessante, desde que seja uma escolha de ambos, observa Cerbasi. O mesmo vale para os cartões de crédito.

Além do poupador e do gastador, o autor identifica outros três perfis financeiros que, em excesso, podem gerar problemas: o descontrolado, que nunca se livra das dívidas; o desligado, que esquece de acompanhar seu extrato bancário; e o financista, que controla até os centavos em planilhas e gráficos ( confira a lista abaixo ).

Cortar gastos não enriquece

Para manter uma relação saudável, o autor também recomenda que o casal não deixe de curtir a vida. Para isso , a recomendação é reservar uma verba mensal para o namoro. “Inclua experiências com seu parceiro, para quebrar a rotina. Uma relação saudável e feliz também merece um grau de consumo”, acredita o consultor financeiro.

Para o especialista, cortar pequenos prazeres do cotidiano para poupar gera mais frustração que recompensa. “Se você precisa economizar, não corte os gastos pequenos. Preserve-os e racionalize com os grandes”, aconselha. O segredo é gastar menos do que ganha e investir bem a diferença.

Poupar deve ser uma gincana, não uma punição, segundo ele. “Sacrifício não deve ser sinônimo de sofrimento”, diz. Isto significa que ao poupar para conquistar um objetivo, o casal deve permitir-se um prêmio pelo esforço.

OS CINCO PERFIS FINANCEIROS

(Fonte: "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" - Ed. Gente)

O POUPADOR

É o avarento da turma. Disciplinado, é aquele que não se importa em restringir seus gastos e guardar dinheiro, poupando para conquistar sua independência financeira.

O GASTADOR

Não pensa no amanhã, gosta de viver bem, viajar e ostentar roupas caras. Gasta, às vezes, mais do que ganha, certo de sua estabilidade no emprego. Avesso a orçamentos, contas e planilhas de controle de gastos.

O DESCONTROLADO

Sempre está cortando gastos, mas nunca é o suficiente, porque não sabe quanto dinheiro entra e como ele sai da conta. Paga juros do cartão e do cheque especial, porque não consegue se organizar, deixando isso sempre para depois.

O DESLIGADO

Não sabe exatamente quanto sobra do que ganha. Quando sobra, poupa. Não abre extratos do banco e a fatura do cartão é sempre uma surpresa, todo mês. Disciplina não é o seu forte, assim como estipular objetivos. Acha que ainda é cedo para pensar em aposentadoria.

O FINANCISTA

É aquele amigo que entende tudo de juros e investimentos - e tem paciência para te orientar, minuciosamente. Às vezes, torna-se chato, elaborando planilhas, lista de supermercado, andando com a calculadora em punho e fazendo projeções com frequência impressionante.


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