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Resultado é metade do registrado em fevereiro e pode indicar o redirecionamento de recursos para investimentos atrelados à Selic

O saldo da poupança brasileira recuou para R$ 538 milhões em março deste ano, resultado de depósitos de R$ 96,5 bilhões e saques de R$ 95,9 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central (BC). O saldo foi metade do registrado em fevereiro (R$ 1,1 bilhão) e cinco vezes menor do que o apurado em janeiro (R$ 2,6 bilhões). O maior aumento dos saques pode sugerir que os brasileiros estão direcionando seus recursos para modalidades de investimento mais atrativas, segundo André Perfeito, economista da Gradual Investimentos.

“Estamos diante de um cenário de expectativa de aumento da taxa de juros. Ainda que o juro não tenha uma relação direta com a poupança, pode ser que a partir de agora aconteça uma reorientação de recursos para outras rendas fixas”, diz Perfeito. Algumas modalidades de renda fixa são atreladas à Selic, a taxa básica de juros brasileira. Assim, a elevação da taxa puxa o rendimento para cima. A poupança é atrelada à Taxa Referencial (TR).

Na comparação com março de 2009, os depósitos avançaram 18% e os saques 16%. Naquele mês, o resultado foi negativo em R$ 846,8 milhões.

Quando analisado o total das captações de poupança - diferença entre depósitos e saques em todo o ano -, 2010 acumula R$ 4,2 bilhões. Esse número dá continuidade a uma tendência de crescimento observada desde maio de 2009, o que coincide com o início da redução da Selic. No ano passado a poupança brasileira captou R$ 30,4 bilhões, muito acima dos R$ 17,7 bilhões de 2008, quando a taxa de juros ficou entre 11,25% e 13,75%.

Poupança Brasileira

(em R$ bilhões)

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Banco Central do Brasil

“A taxa Selic mais alta tornava os investimentos em renda fixa mais interessantes até o início do ano passado, quando o BC começou a diminuir os juros”, diz o economista da Gradual Investimentos. Atualmente, a taxa está em 8,75%, sendo que o mercado espera aumento nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária do BC.

Além disso, Perfeito diz que há também o efeito da renda do trabalhador. “É um movimento em duas pontas. Quando a renda aumenta, uma parte dela pode ser direcionada à poupança”, diz. Ao mesmo tempo, a população também consome mais quando tem mais confiança na economia, o que ajuda a explicar os maiores saques e a diminuição do saldo da poupança brasileira. “O Brasil está crescendo muito calcado em consumo interno. O brasileiro não está apenas ‘despoupando’, também está indo às compras”, afirma.

No total, a poupança brasileira acumula R$ 327,8 bilhões até março de 2010. Este montante é 19,4% superior ao total até março de 2008. Em cinco anos, o valor dobrou. Em março de 2005 o Brasil tinha R$ 158,2 milhões em cadernetas de poupanças.

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