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Artes, vinhos, ouro, cinema e pedras são opções para quem quer diversificar a carteira e combinar retorno e satisfação pessoal

Investimentos em ações de empresas e renda fixa, como a poupança, são os mais comuns, mas estão longe de ser os mais divertidos. Fundos de investimentos em artes , vinhos e cinema começam a ganhar espaço no País como oportunidades de diversificar o portfólio com uma dose de prazer. Outra aplicação que também vem ganhando força é o ouro, tido como ativo de proteção para momentos de incerteza. A aposta dos criadores, gestores e profissionais que lidam com esses produtos não tradicionais é a de que os brasileiros estão começando a sofisticar suas aplicações.

O crescimento da economia brasileira tem um papel fundamental para essa sofisticação dos investimentos, na opinião de Luiz Otavio Indio da Costa, presidente do Cruzeiro do Sul e colecionador de artes. “Há uma maior geração de riqueza interna no País, e muitas pessoas aumentaram seu poder de compra. O País está começando a ter um público consumidor que adquire não só carros e apartamentos, mas também arte e vinhos de melhor qualidade”, afirma o banqueiro.

Vinhos Bourdeaux: bebida ganha fundo de investimento no Brasil
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Vinhos Bourdeaux: bebida ganha fundo de investimento no Brasil
Como consequência da melhora da economia, as pessoas passam a poupar mais. Para quem já possui investimentos em bolsa de valores e produtos de renda fixa, as modalidades não tradicionais (também conhecidas por “passion investments”, ou “investimentos da paixão”) começam a chamar a atenção como oportunidade de diversificar a carteira. Ao mesmo tempo, permitem que o investidor aprenda sobre assuntos diferentes. “Se eu invisto em obras e quadros, por exemplo, além do retorno financeiro, tenho a chance de conhecer todo um universo novo, que é muito interessante”, diz Indio da Costa.

A mesma lógica serve para os investidores em vinhos e em pedras preciosas . Para Alexandre Zakia, da gestora de recursos Cultinvest, que está lançando o primeiro fundos de vinhos do País, a compra da bebida tem sido um hobby de um número cada vez maior de brasileiros. “O interesse sempre foi em degustação, mas agora estamos ampliando esse horizonte: é o prazer aliado ao investimento.” No entanto, o fundo não é para aventureiros. Com investimento mínimo de R$ 1 milhão, o público esperado é o investidor qualificado.

As pedras preciosas, por sua vez, fazem parte de um mercado menos desenvolvido e muito complexo, que requer muito mais conhecimento e tem como desvantagem a informalidade. “E muito arriscado investir em pedras, pois para ter vantagem e preciso comprar diretamente em garimpos ou em altos atacados. Mas o risco de ser enganado é grande”, diz o gemólogo Ivan Endreffy. Ele ressalva, no entanto, que o número de investidores estrangeiros interessados em prospectar pedras no Brasil é crescente. “Na ultima semana, viajei mais de sete mil quilômetros com um grupo que queria avaliar gemas em varias regiões do País.”

Já o ouro é um ativo de reserva de valor, tido como opção de proteção para momentos de em que a bolsas de valores está instável, e possui um mercado mais regulado e acessível. Lojas especializadas vendem ouro em barras, para quem quiser guardar o metal precioso em casa ou presentear, enquanto a Bolsa de Valores negocia contratos do metal.

Ainda mais fácil é investir em cinema . Neste caso, a motivação de quem adquire uma cota dos fundos, chamados de “Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional” (Funcine) é contribuir com a indústria cinematográfica nacional. Todo o dinheiro dos investidores é destinado à produções brasileiras. Entre os filmes que já receberam aportes, estão “Divã”, “Os Desafinados” e “31 minutos”, e “Tempos de Paz”.

Investimentos de R$ 300 a R$ 1 milhão

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"Suculentas" de Beatriz Milhazes: obras de arte são opção de diversificar investimentos
O aporte mínimo nos produtos de investimento não tradicionais varia bastante. Para ter uma cota no fundo de vinhos Bordeaux Wine Fund Multimercado, por exemplo, é preciso ter R$ 1 milhão. Já para participar do fundo de artes Brazil Golden Arte (BGA), lançado por ex-sócios do Banco Pactual, a exigência mínima é de R$ 100 mil. Quem preferir comprar obras de arte em leilões encontrará preços de R$ 300 a R$ 1 milhão.

Com bem menos dinheiro é possível participar de fundos de cinema, cujas cotas começam com R$ 5 mil. Para o investidor que se interessa pelas barrinhas de ouro, uma unidade de 5 gramas pode ser adquirida por cerca de R$ 400 em lojas especializadas. Outra opção é a compra de um contrato de 250 gramas na Bolsa de Valores por cerca de R$ 19,5 mil.

Retorno, por que não?

Apesar de especialistas recomendarem que os investimentos da paixão não sejam feitos com o objetivo do retorno financeiro, e sim a diversão e o prazer, os produtos de investimento não tradicionais vêm apresentando bons retornos. Quem comprou ouro no início deste ano, por exemplo, teve uma rentabilidade de 18% até novembro. Resultado semelhante é esperado para fundos de diamantes, segundo a gestora de recursos inglesa Fusion Alternatives, que esta lançando um novo fundo no exterior para a pedra preciosa.

No cinema, o fundo Funcine Lacan Downtown Filmes, administrado pela Lacan Investimentos, acumula um ganho de 95% em três anos. Já os fundos de artes e vinhos são novos no Brasil – e os criadores preferem não arriscar a projeção de retorno. No entanto, no exterior, índices mostram rentabilidades de 8,2% para as artes de janeiro a outubro (Mei Moses Fine Art Index) e de cerca de 40% para os vinhos (Liv-ex Fine Wine Investables) ate novembro.