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Momento não é adequado para se desfazer de investimentos em Bolsa ou comprar dólar; veja recomendações de especialistas

Diante dos efeitos do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela Standard & Poor's e da continuidade da crise da dívida europeia sobre a BM&F Bovespa, muitos investidores brasileiros começam a se perguntar se não é momento de se desfazer de suas aplicações em Bolsa, que segue acentuada queda.

 “O temor de que o mercado financeiro atinja níveis próximos ao da crise econômica de 2008, quando o Ibovespa chegou a 29.435 pontos , tem levado muitas pessoas a se desfazerem de suas posições em Bolsa. Mas, acredito que o momento é inapropriado para tomar essa decisão”, afirma Paulo de Sá Pereira, gerente-executivo de investimento em renda variável da Fundação CESP.

Segundo Pereira, o ideal é que o investidor tenha sangue frio e aguarde uma melhoria no cenário econômico-financeiro para rever sua carteira de investimentos. Vender em baixa contraria as regras básicas de aplicação de recursos em Bolsa, afirma Pereira, para quem a exceção vale apenas para os que estão comprometidos com liquidez de curto prazo. “O mercado está vivendo um momento de pânico. Mas quem sair agora corre o risco de realizar prejuízo desnecessariamente e se arrepender no médio prazo”.

Analista de renda variável da TOV Investimentos, Rafael Quintanilha tem opinião semelhante. “Se o investidor tem estômago para agüentar a oscilação do mercado, vale a pena esperar. Mas, se ele não tem mais disposição para se arriscar, o ideal é preservar o capital e reduzir a exposição em Bolsa”, afirma.

Nesses casos, diz Quintanilha, uma das opções é realocar os recursos em renda fixa, apostando, por exemplo, em títulos do Tesouro Direto. Outra alternativa é buscar ações de empresas que atuam em setores regulados, como energia, saneamento e telecomunicações. “Companhias desses setores têm garantia de recebimento por serviços prestados, o que reduz os riscos”, diz.

Para o diretor do escritório brasileiro de um banco europeu que prefere não se identificar, a despeito de todo o pânico observado no mercado financeiro, o Brasil segue atraindo s investidores estrangeiros. “O País ainda está muito barato. Existem várias opções de ações de companhias com bons fundamentos nos setores de mineração, siderurgia e alimentação. E, assim que a incerteza diminuir, a Bolsa brasileira deve ser recuperar rapidamente”, diz o executivo.  

Quando se trata de câmbio, os analistas também são cautelosos. A avaliação é de que ainda há espaço para o dólar perder valor frente ao real. “A alta do dólar observada nos últimos dias é um ponto fora da curva na tendência de enfraquecimento da moeda americana”, avalia Pereira. O executivo recomenda que os brasileiros com viagens marcadas para o exterior aguardem antes de trocar seus reais por dólares. “Se a pessoa vai viajar daqui a um mês ou mais, o ideal é esperar”. 

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