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Especialistas dão dicas para não perder dinheiro ao investir em poupança, tesouro direto, fundo DI e ações

Começo de ano, para muitos que conseguiram manter bônus e décimo terceiro na conta, é momento de investir. Com o dinheiro nas mãos, é hora de decidir onde aplicar esse saldo. Na hora de tomar a decisão, é preciso tomar cuidado para não cair em “armadilhas”, mesmo nas opções consideradas mais seguras, como a poupança.

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Para evitar arrependimentos pós-investimento, o iG consultou especialistas, que mapearam os principais riscos de quatro tipos de aplicação: fundo referenciado DI, Tesouro Direto, Poupança e Bolsa. Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo Investimentos, diz que a primeira “armadilha geral” na qual o investidor não deve cair é não considerar o imposto de renda e o impacto da inflação em sua escolha.

“Freqüentemente, o investidor é levado a fazer as contas supondo uma determinada rentabilidade nominal, mas deve-se trabalhar com a rentabilidade líquida de impostos e de eventuais custos”, afirma. Quando se faz o planejamento de poupar para financiar um gasto futuro, é necessário estimar qual o valor corrigido deste gasto futuro, de acordo com o gestor. Uma forma de se fazer isso, lembra, é trabalhar com taxas de juros reais (que descontam a inflação), mas os preços não variam de forma idêntica à inflação. Por exemplo, um carro que hoje valha R$ 50 mil pode ter preço diferente no futuro e se a pessoa for poupar para comprar o carro pode acabar poupando pouco ou em excesso se o preço variar.

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Arte iG
Fique de olho nas armadilhas das aplicações financeiras
Ângela Menezes, professor de finanças do Insper, diz que o investidor deve evitar pedir dicas de aplicações para quem não é da área. Ou seja, não cai na tentação de pedir dica para primo, prima, cunhado. “É saudável multiplicar a renda, mas informações devem ser pedidas a especialistas”, afirma. A professora faz outro alerta: “cuidado com um gerente que liga para empurrar um produto. Se ele oferece, é bom para ele, nem sempre para você.”

Bittencourt diz ainda que toda opção de investimento possui um conjunto de atributos positivos e negativos. A escolha de cada um deles depende fundamentalmente: do objetivo de rentabilidade, prazo de investimento e perda máxima admitida pelo investidor. Neste contexto, as modalidades de investimento procuram cobrir com mais ênfase pelo menos um dos aspectos citados. Não é possível cobrir todas as frentes ao mesmo tempo, uma vez que muitas delas são mutuamente exclusivas. Um exemplo: não é possível investir em bolsa sem se arriscar.

Confira as aplicações e as dicas dos especialistas:

Tesouro Direto
- Exige do investidor certo conhecimento da tendência da taxa Selic, diz Bittencourt. O investidor pode perder o “timing” de mercado se não alternar corretamente o posicionamento pós-fixado ou pré-fixado;
-Segundo ele, não é possível aplicar qualquer valor, uma vez que existem frações mínimas em relação ao valor dos títulos negociados;
-O gestor lembra ainda que, se precisar vender os títulos adquiridos antes do vencimento, o investidor se sujeitará a leilões com freqüência semanal e com deságio no valor dos títulos. Deve-se lembrar que as melhores oportunidades de retorno estão nos títulos com prazos médios mais longos, o que leva o investidor a ter de esperar um bom tempo para o vencimento.
-A professora Ângela pede ao investidor que preste atenção às alíquotas de Imposto de Renda que incidem sobre o rendimento em cada período. Quanto menos tempo o investidor deixar seu dinheiro, mais imposto vai pagar;
-Ela também sugere uma pesquisa sobre as instituições que oferecem o serviço. Além disso, confira as taxas de administração de cada uma.

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Fundos Referenciados DI
-Ambos os especialistas alertam para a taxa de administração cobrada nos fundos. As taxas elevadas, diz Bittencourt, podem comprometer seriamente a rentabilidade destes fundos. Durante os períodos de queda na taxa Selic, este efeito torna-se mais evidente, uma vez que a magnitude da taxa de administração torna-se muito relevante em relação ao ganho máximo possível sobre os títulos públicos.
-Bittencourt lembra ainda que o investidor precisa analisar previamente se a aplicação adicional e o saldo mínimo do fundo são adequados para as suas necessidades. Isso pode afetar as aplicações posteriores se a aplicação adicional for superior ao que o investidor pode poupar por mês. Deve-se lembrar que os fundos que possuem taxas de administração menores normalmente exigem valores expressivos de aporte inicial com aportes adicionais com valores que podem não caber no “bolso” do investidor.
-Ângela sugere uma pesquisa sobre a composição do fundo, para saber realmente o que há dentro da cesta oferecida e não ter surpresas.

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Poupança
-Há certa restrição na liquidez, uma vez que é necessário esperar até a “data de aniversário” da aplicação para que se obtenham os rendimentos, que são perdidos em caso de resgate antecipado, diz Bittencourt.
-Historicamente a poupança não tem gerado um ganho de juro real substancial, avalia o gestor. “Nos períodos de queda da Selic como o atual isto é menos sensível, mas havendo um movimento de alta na taxa básica a poupança perde em relação a outros investimentos de mesmo nível de risco como fundos referenciados DI, por exemplo.”
-A professora Ângela também atenta para o prazo mínimo de rendimento da poupança, de um mês. “Se precisar do dinheiro antes, é melhor comprar um CDB.”

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Bolsa de Valores
-Para Bittencourt, é necessário verificar quantas vezes a ação é negociada, ou seja, a liquidez dos papéis. Alguns podem permanecer vários dias sem transação. O volume médio negociado diariamente é fator também muito importante, já que em uma venda mais expressiva o preço pode ser drasticamente empurrado para baixo.
-O gestor alerta para que o investidor tome cuidado com a concentração da carteira, já que não é incomum que uma ação sofra elevada desvalorização sem que o mercado também faça esse movimento. Mesmo as ações de grandes empresas (blue chips) estão sujeitas a esse risco. Exemplo recente: OGX, de Eike Batista, desvalorizou 17,25% em apenas um dia (15/04/10).
-Ele aconselha evitar a manutenção de uma ação que se desvalorizou muito à espera de que volte ao preço de compra. Não é porque uma ação já valeu mais que voltará a esse nível e, mesmo que isso ocorra, pode demorar muito tempo. Pode ocorrer uma troca de controle ou posicionamento estratégico equivocado que leve uma ação a um longo processo de perda de valor.
-A professora Ângela aconselha o investidor a fazer um curso sobre Bolsa antes de entrar no mercado. Além disso, para ela, informação é essencial para evitar perdas em Bolsa. “Informe-se sobre as empresas nas quais quer investir e leia cadernos de economia.”
-Tome cuidado com golpes de clubes de investimento, afirma Ângela. Verifique o histórico da corretora pela qual vai investir.
-Só entre se tiver perfil para agüentar risco, diz ela. “Os nervosos não duram. Bolsa exige tempo e paciência.”

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