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Valorização da moeda norte-americana foi de 4,78% no mês, seguida pelo ouro, com 4,35%; Bolsa teve queda de 6,64%

A aversão ao risco provocada pela crise europeia foi o parâmetro do mercado em relação aos investimentos no mês de maio. A opção que mais valorizou foi o dólar comercial, com alta de 4,78%, seguida de perto pelo ouro, com ganho de 4,35% - duas modalidades consideradas como “porto seguro”. O rendimento das cadernetas de poupança com vencimento em 1º de junho teve alta de 0,55%, enquanto o Ibovespa – índice referencial da Bolsa de Valores – fechou o mês no negativo, em 6,64%.

Dólar em alta

Valorização dos investimentos em maio, em %

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Mercado; *Cadernetas com aniversário em 01/06

Fábio Colombo, administrador de investimentos, lembra que a crise europeia se intensificou, apesar do pacote de ajuda anunciado de cerca de US$ 1 bilhão. “Começou a se espalhar pelo mercado o temor de uma moratória generalizada, começando pela Grécia”, afirma. Outros fatores de incerteza no mercado foram o rebaixamento da nota de crédito da Espanha por parte da Fitch, agência classificadora de risco, e os desentendimentos entre as duas Coreias.

“As Bolsas ao redor do mundo tiveram queda no mês. A Bovespa chegou a acumular queda de 11% em determinado momento do mês”, diz Colombo. Segundo ele, o dólar, por outro lado, teve valorização frente a todas as outras moedas do mundo. “Foi um movimento geral de aversão ao risco. Os investidores correram para o ouro e para títulos do Tesouro americano.”

“O ouro é uma proteção”, lembra José Góes, consultor econômico da Win Trade. “Em momentos de risco de inflação e de ruptura do euro, o ouro funciona como uma proteção. Ele tem essa propriedade de reserva de valor”, observa, justificando a alta da cotação do metal no mês.

De acordo com Góes, a incerteza no mercado foi alimentada pela percepção que os problemas de déficit público que afetam diversos países europeus, como Grécia, Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, não se resolvem no curto prazo. Como contrapartida, os Estados Unidos vêm dando mostras de recuperação mais rápida, o que, por ser a maior economia do mundo, “dá chances” para outros países também melhorarem o desempenho.

Para justificar a retração da Bolsa em maio, Góes lembra que grande parte das companhias são exportadoras e acabam sendo penalizadas por conta da crise na zona do euro. “O Brasil está crescendo, até com risco de crescimento excessivo. Mas, como as maiores empresas brasileiras são exportadoras, seu desempenho afeta o Ibovespa.”


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