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Além de construir o futuro da criança, os produtos financeiros podem ensiná-la a calcular o preço de cada sonho

O tradicional cofrinho é boa opção para introduzir o conceito de educação financeira
Thinkstock/Getty Images
O tradicional cofrinho é boa opção para introduzir o conceito de educação financeira

Manda a tradição que o Dia das Crianças é associado ao hábito de comprar brinquedos, engordando o faturamento dos varejistas. Mas há outra maneira de presentear uma criança: planejando seu futuro. Escolher um produto financeiro que proporcione benefícios para ela e ensiná-la o valor do dinheiro não são tarefas das mais fáceis, mas pode ser um belo presente.

Aquilo que seria um ‘presentão’ para um adulto pode não fazer muito sentido para a criança, explica o educador financeiro André Massaro. “Crianças têm certa dificuldade em entender o valor de coisas intangíveis. Para algumas delas, ganhar um investimento de R$ 1 mil é pior do que ganhar um carrinho de R$ 10”.

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Ao receber o presente financeiro, explica Massaro, a criança pode ter a estranha sensação de que nada ganhou ou de que recebeu um ‘presente de grego’. “É interessante, ao presentar com um investimento, também dar a ela alguma coisa ‘concreta’ e tangível como um brinquedo”, recomenda.

Dar dinheiro sem critérios para uma criança ou jovem, da mesma forma, não ajuda em absolutamente nada e ainda contribui para criar uma personalidade consumista, na visão do educador financeiro e presidente da Dsop Educação Financeira, Reinaldo Domingos. "Por outro lado, ao ensinar o valor do dinheiro, abre-se a oportunidade de inserir novos hábitos e mostrar que é possível buscar realização pessoal com seu controle", explica.

POUPANÇA

Por não cobrar taxas nem impostos, a caderneta de poupança é o instrumento mais simples para introduzir a criança no universo bancário. Formar uma poupança para o filho com um capital modesto é uma boa oportunidade não apenas para ensiná-la o mecanismo de poupar, mas também para introduzir o conceito de juros, geralmente complexo até para adultos.

Uma forma simples é utilizar a analogia do tradicional cofrinho, orienta Domingos. O primeiro passo é chamar a criança para uma conversa e apresentar a caderneta para ela. Em seguida, deve-se compará-la ao cofrinho onde as moedas são depositadas regularmente, com a diferença de que, na poupança, todos os meses algumas moedas a mais são colocadas pelo banco como recompensa por ter deixado o dinheiro guardado, explica o especialista. Mostrar o extrato da aplicação é outra forma de ensinar como se acumula capital.

Quando dar mesada

A idade ideal para começar a dar mesada ao filho é por volta dos sete anos, na visão do consultor do Dsop. Não há consenso se datas festivas são o momento ideal para introduzir o pagamento, mas é fato que ele deve vir acompanhado de orientação. Caso contrário, deixará de ser um instrumento de educação financeira e poderá levar a criança a gastar a quantia recebida sem limites.

Para estipular o valor ideal da mensalidade, os pais devem fazer um diagnóstico financeiro, anotando durante um mês todo o dinheiro que a criança pede para suas necessidades básicas, como transporte, diversão e alimentação fora de casa. “Depois, deve-se somar os valores e estabelecer que a mesada corresponda a, no máximo, 50% do total apurado”, recomenda Domingos. Ou seja, se a soma foi de R$ 100, o valor da mesada deve ser de R$ 50.

Parece um valor baixo, mas o especialista acredita ser o ideal. A outra metade pode ser a quantia para poupar em alguma aplicação ou no próprio cofrinho, orienta. Também é importante acompanhar se o filho está administrando bem seu capital. Caso ele gaste além da conta e peça mais dinheiro, a recomendação é resistir aos pedidos, para que ele aprenda a controlar seus impulsos.

Plano de previdência

Há diversos produtos de previdência infantil no mercado para o longo prazo. Este é um presente para ser desfrutado depois de muitos anos, seja com uma viagem ao exterior, uma faculdade ou o primeiro carro. É importante definir o objetivo desde cedo – já no nascimento, se possível –, e quanto antes for iniciado o investimento, maior o patrimônio acumulado.

Previdência infantil realiza sonhos de longo prazo
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Previdência infantil realiza sonhos de longo prazo

Procurar taxas de administração mais baixas é fundamental para garantir a rentabilidade. Os planos para menores de idade movimentaram R$ 1,95 milhão em 2012, segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida).

“Quando a criança tiver maturidade para entender, é preciso apresentar este benefício e contar que o dinheiro foi guardado todo mês”, explica Domingos.

Para o educador financeiro Mauro Calil, deve-se reinvestir os juros provenientes da aplicação até alcançar o objetivo final. Se um pai depositar mensalmente R$ 100 em um plano de previdência para o filho desde seu nascimento – supondo uma rentabilidade de 6% ao ano (valor aproximado da poupança), ao completar 23 anos, ele terá acumulado uma reserva de R$ 58,2 mil. Outra hipótese é o filho manter a aplicação para sua aposentadoria até os 50 anos, cuja reserva acumulada será de R$ 359.625,39.

MERCADO DE AÇÕES

Comprar ações de empresas listadas na Bolsa para uma criança é a opção menos conservadora de investimento e exige sangue frio dos pais, embora seja apontada como boa opção de longo prazo. Quanto maiores as chances de ganhos, maior o risco de perdas neste investimento.

“Aposte em empresas e setores que crescem. No longo prazo, companhias sólidas costumam resultar em bons ganhos para o investidor”, recomenda o consultor Calil. Este tipo de investimento, contudo, exige disposição ao risco e conhecimento do mercado. “Os pais que investem neste instrumento devem acompanhar periodicamente o investimento e observar seu desempenho para tomar as decisões corretas”, diz.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

O Dia das Crianças também é momento propício para introduzir as primeiras noções de educação financeira. Uma forma eficaz é dar presentes como jogos, brinquedos, videogames e livros infantis que, segundo Massaro, “ ajudam a desenvolver noções de finanças, empreendedorismo e negócios de forma suave, divertida e sem ‘forçar a barra’”.

Outra forma é presentear o filho com três cofrinhos, recomenda Domingos. “Ensine-o a guardar o três ao mesmo tempo e o estimule a definir três sonhos: de curto prazo (até três meses), médio prazo (até seis meses) e longo prazo (mais de um ano)”, diz. Dessa forma, ele entenderá que pode realizar o que deseja, mas deverá ter disciplina para isso.

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