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Mesmo com rentabilidade negativa em 2013, os fundos de índices tiveram boa movimentação. A partir de R$ 500, já é possível investir no ETF que replica o Ibovespa

ETFs simplificam a entrada na Bolsa e são opção para diversificar
Thinkstock/Getty Images
ETFs simplificam a entrada na Bolsa e são opção para diversificar

Mesmo com desempenho ruim em 2013, os ETFs (Exchange Traded Funds) mantêm o salto financeiro do ano passado. Movimentaram R$ 107 milhões por dia nos seis primeiros meses do ano – 90% do volume médio de 2012 e mais que o dobro (R$ 48 milhões) de 2011. De 2008 para cá, eles dispararam 613%.

E a participação do pequeno investidor nos fundos que acompanham os índices da Bolsa também é expressiva: em junho, eles eram 10,6% dos investidores do ETF mais popular, o BOVA11, que replica os resultados do Ibovespa. No PIBB11 (baseado no índice IBX-50), o segundo mais importante, eles representam 34,1%.

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“Os ETFs são uma alternativa para quem não tem tempo nem conhecimento para diversificar os investimentos”, explica o diretor de operações da Ativa, Jansen Costa. Ingressar nestes fundos é uma forma de simplificar as estratégias e diluir o risco de investir em poucos ativos – como ações de empresas com potencial de grande desvalorização.

Quem tem poucos recursos para diversificar também pode se beneficiar com os ETFs. A partir de R$ 500, é possível investir no BOVA, por exemplo, que representa 94% dos 15 fundos de índices no Brasil. A taxa média de administração destes fundos é de 0,5% ao ano, relativamente baixa se comparada a outros investimentos no mercado de capitais.

Como a Bolsa ficou no vermelho este ano, todos os ETFs tiveram rentabilidade negativa desde janeiro, já que eles refletem o desempenho geral dos índices. O BOVA11, por exemplo, rendeu -22,1% no período, e o PIBB11 teve perda acumulada de 12,5% ( veja o gráfico ).

RENTABILIDADE

Desempenho dos 15 fundos de índices entre janeiro e junho de 2013 (em %)

Gerando gráfico...
BM&FBovespa

A má notícia dos ETFs pode não ser tão ruim se comparada ao investidor que apostou 50% da carteira em ações da petrolífera OGX e da empresa de logística LLX, ambas do empresário Eike Batista. No semestre, elas chegaram a desvalorizar 91% e 70%, respectivamente.

Ao compor seu portifólio com ETFs como o BOVA, o investidor fica blindado de quedas muito expressivas de ações, mas também dilui a chance de ganhos muito altos, já que os fundos diversificam a carteira com todas as ações dos índices.

Na Ativa, os ETFs não costumam ser a porta de entrada do investidor de primeira viagem, mas passam a ganhar o interesse do público que já está no mercado de ações há algum tempo, segundo o diretor de operações da corretora.

Defina seus objetivos

É um erro investir em ETFs sem traçar uma estratégia, na avaliação de Costa. Segundo ele, há três objetivos principais para apostar nestes fundos: diversificar o investimento, fazer operações de hedge (proteção) no mercado futuro ou compor uma carteira com ações que tenham risco de mercado, diluindo-o.

O fato de a gestão dos ETFs ter um perfil mais passivo faz com que eles não sejam a melhor alternativa para o longo prazo, avalia o analista da Ativa. “O longo prazo sugere um acompanhamento ativo do investimento”, complementa.

Também é possível apostar nos fundos que espelham índices por setores, como quando o investidor acredita que algum deles terá bom desempenho no futuro. O CSMO11, por exemplo, replica o setor de consumo; o MOBI11 acompanha as ações do mercado imobiliário; e o FIND11, empresas do mercado financeiro.

Mais fundos

No fim de julho, a BM&FBovespa confirmou que pretende ampliar as opções de ETFs no Brasil. Até o fim do ano, ela deve trazer fundos de índices estrangeiros e de renda fixa. Enquanto o País administra apenas 15 fundos, os EUA já trabalham com 1.381, e o México, com 457.

Para Costa, da Ativa, há espaço para a criação de ETFs que espelhem setores como mineração e petróleo, e commodities como ouro, por exemplo. “Quanto mais ETFs forem criados, mais volume financeiro o mercado terá, aumentando a liquidez dos ativos, o que permite ao pequeno investidor investir mais”, observa.