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Estratégia é muito usada para lucrar com a aposta na queda dos papéis. Volume das operações cresceu 24% no 1º semestre do ano, impulsionado por baixa na Bolsa

Empréstimo de ações dobrou em três anos
Thinkstock/Getty Images
Empréstimo de ações dobrou em três anos

Em tempos de baixa na Bolsa, o aluguel de ações tem se mostrado um instrumento alternativo para obter lucro neste mercado. O volume financeiro da operação foi recorde no primeiro semestre de 2013, crescendo 24% ante o mesmo período de 2012, com adesão maior de pessoas físicas.

Na corretora Um Investimentos, onde a demanda pela operação cresceu 40% em 2013, o pequeno investidor tem procurado se informar mais sobre a estratégia, segundo o agente autônomo e colaborador especializado em aluguel de ações pela empresa, Rafael Nogueira.

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“A queda das ações influencia o interesse por essa estratégia”, acredita o professor de finanças do Insper, Michael Viriato. O volume do aluguel – ou empréstimo – de ações mais que dobrou nos últimos três anos, segundo a BM&FBovespa.

Se entre janeiro e julho de 2010, o volume de aluguel foi de R$ 204 milhões, neste ano já atingiu R$ 500 milhões. Já o índice Ibovespa, o principal da Bolsa de Valores, acumula perda de 26,3% entre julho deste ano e o mesmo mês de 2010.

O pequeno investidor participa bem mais como doador – aquele que recebe uma taxa para emprestar seus ativos ao locatário – do que como tomador dos papéis. Este ano, o doador pessoa física participou em 23,79% das operações, enquanto o tomador, apenas 2,47%.

Mas ele movimentou R$ 137 milhões ao alugar seus ativos no 1º semestre, 61% do volume total de 2012. Investidores estrangeiros foram os que mais emprestaram ações em 2013, com 40,03% de participação. Já os fundos mútuos foram os principais locatários, com 65,5%.

“O doador de ações costuma ser mais conservador e aposta no longo prazo, disposto a rentabilizar sua carteira sem abrir mão dos ativos”, explica Nogueira, da Um. O aluguel não implica risco ao doador porque ele apenas empresta seus ativos a um custo combinado, livre das oscilações.

Já o tomador tem um perfil mais agressivo, com apetite maior para o risco e lucros maiores, segundo Nogueira.

Por que alugar?

A aposta na queda das ações da petroleira OGX, de Eike Batista – que chegou a desvalorizar 90% no 1º semestre – ajudou a elevar a procura pelos aluguéis entre março e junho. Papéis da Eletropaulo PN, Brookfield ON e MMX ON também foram muito procurados, elevando o custo da operação.

VOLUME

Movimentação financeira dos alugueis de ações no primeiro semestre de 2013 (em R$ milhões)

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BM&FBovespa

O pico do ano em volume ocorreu em abril, com movimento pouco maior que R$ 100 milhões, um aumento de 40% ante o mesmo mês de 2012 (R$ 60,4 milhões).

Se o tomador acredita que os papéis das empresas vão cair, ele os aluga para vendê-los durante a possível queda e recomprá-los a um preço menor, antes de devolvê-los ao doador e, assim, obter o lucro. O contrato de aluguel mais comum dura 30 dias, podendo ser renovado.

O doador, por sua vez, recebe uma taxa de aluguel combinada previamente com o locatário, de forma bem parecida ao aluguel de imóveis. O valor da taxa obedece às regras da oferta e demanda: se houver mais tomadores que doadores, a cobrança sobe. Do contrário, ela cai. Toda a operação é feita com a intermediação de corretores.

No caso da OGX, o alto número de interessados em alugar as ações fez com que a taxa do aluguel disparasse para 80% no fim de julho. Os papéis da MMX, por exemplo, renderam 60% ao ano para os doadores. Em contrapartida, as taxas de aluguel da Vale estão pífias, em torno de 0,30%.

A falta de doadores no mercado também eleva a taxa. Foi o que aconteceu no mês passado com as ações ordinárias da B2W, cuja taxa de aluguel disparou para quase 60% com a saída de um único doador com peso relevante.