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Escritórios que cuidam de investimentos milionários veem momento de queda nas ações de grandes empresas como chance de focar novos mercados e atrair clientes

Dor de cabeça para uns, oportunidade para outros. Os family offices, – escritórios que cuidam de grandes fortunas – afirmam que a atual baixa no mercado de ações e as incertezas econômicas não são necessariamente um problema para eles. “Os momentos mais difíceis acabam sendo positivos para nós”, conta Cláudio Mifano, executivo da Claritas, empresa que hoje administra um patrimônio de R$ 4 bilhões.

A GPS, que administra um patrimônio de R$ 15 bilhões, monta a carteira de ações dos clientes focando empresas fora do índice Ibovespa
Thinkstock/Getty Images
A GPS, que administra um patrimônio de R$ 15 bilhões, monta a carteira de ações dos clientes focando empresas fora do índice Ibovespa

Num ambiente de pessimismo e perdas, os investidores tendem a procurar mais as assessorias financeiras para proteger seu capital. A lógica é a mesma para os donos de grandes fortunas, que recebem um atendimento personalizado nos ateliês financeiros. Gestora de valores acima de R$ 10 milhões por cliente, a Claritas monta portifólios sob medida para este público.

O escritório costuma realocar a porção investida em renda variável quando a Bolsa oscila demais no campo negativo – no primeiro semestre deste ano, por exemplo, o índice Ibovespa perdeu em torno de 25% – ou quando o cliente sente o risco e a necessidade de mudar o portifólio. A desvalorização de alguns papéis também cria preços atrativos para iniciar investimentos de longo prazo. “Trocamos a estratégia conforme o perfil do cliente e o objetivo traçado na formação da carteira”, explica Mifano. 

Para ele, clientes conservadores (com mais aversão ao risco) costumam aplicar em torno de 5% do seu capital em ações. Já os mais agressivos investem cerca de 25% do patrimônio em renda variável. A carteira do escritório inclui várias classes de ativos, entre eles os fundos multimercados, administrados por gestores que aplicam em diferentes modalidades de investimento.

É preferível buscar um equilíbrio ao diversificar o portifólio do cliente, acredita o executivo da Claritas. O ideal seria incluir em torno de 10 a 12 empresas na carteira de ações. “Diversificar demais reduz os riscos, mas também dilui as chances de ganho. Por outro lado, a concentração excessiva em poucos ativos pode causar perdas grandes”.

Olhar além do Ibovespa

A GPS, que administra um patrimônio de R$ 15 bilhões, saiu ilesa das perdas do Ibovespa, já que não investe no índice. “Enquanto o principal índice da Bolsa caía cerca de 22% no semestre, nossa carteira caiu apenas 7%”, compara o sócio da empresa, Antonio Martins. Os gestores de patrimônio do escritório alocam o capital de seus 500 clientes em setores e empresas fora do radar do índice.

Martins acredita que reduzir o percentual investido em renda variável nos momentos de queda não é uma boa estratégia. Ao compor o portifólio de longo prazo do cliente, a empresa prevê os tropeços no meio do caminho e coloca o investidor de sobreaviso.

“Estas baixas já estão previstas antes de se fazer o investimento”, diz. As quedas devem ser levadas em conta como oscilações normais dentro de um ciclo de três a cinco anos, e encaradas com tranquilidade, acredita o executivo da GPS.