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Economistas avaliam que aumento em 0,5% determinado pelo BC é insuficiente para repetir os ganhos com renda fixa obtidos no passado. Saída é diversificar investimentos

A caderneta de poupança e outras aplicações financeiras renderão mais com o aumento de 7,5% para 8% na taxa básica de juros, a Selic. Mas economistas avaliam que os ganhos com renda fixa continuarão irrisórios neste patamar, longe de repetir os resultados obtidos até 2011 – quando a Selic ultrapassava dois dígitos. Para compensar o baixo rendimento, uma opção é diversificar a carteira com investimentos mais arriscados.

Governo aboliu IOF cobrado de  investidores estrangeiros na renda fixa, para atrair capital
Thinkstock/Getty Images
Governo aboliu IOF cobrado de investidores estrangeiros na renda fixa, para atrair capital








O efeito imediato deste aumento de 0,5%, determinado na última quarta-feira (29) pelo Banco Central, além de não beneficiar o investidor, com rendimentos consumidos pela inflação, reduz o crescimento da economia do País, na opinião do professor de finanças do Insper, Alexandre Chaia. “Juro maior significa menos crédito disponível”.

Para o sócio da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, a alta dos juros não altera o cenário de investimentos no Brasil. “Aplicações em renda fixa só passam a ser interessantes com os juros a partir de 8,5% ou 9% ao ano”, analisa. O aumento da taxa básica, lembra o economista, engorda as despesas do governo com o pagamento de juros de sua dívida pública.

Para atrair investimentos fora do País, uma decisão retirou a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)  para aplicadores estrangeiros na renda fixa, medida que deve estimular a entrada de capitais, na visão de analistas de pesquisa econômica do banco HSBC.

Rentabilidade alta ficou no passado

Aplicações como os fundos DI, remuneradas pelos CDIs (Certificados de Depósito Interbancário) – que acompanham a média dos juros em empréstimos bancários – foram as campeãs em rentabilidade entre 1994 (início do Plano Real) e 2012, com retorno acumulado de 605%, já descontado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), segundo a consultoria Economática. Superaram os ganhos da Bolsa de Valores e do ouro no período, quando a taxa básica de juros oscilava bem acima dos 10% ao ano.

Ao longo de 2012, quando o movimento de queda da Selic foi contínuo, os fundos DI e de renda fixa perderam para aplicações como o ouro e os títulos indexados ao IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), segundo levantamento do administrador de fundos Fábio Colombo.

Baixo impacto no crédito 

Já o efeito da alta da Selic no crédito não deve ser significativo, na opinião do diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira. “Por conta da maior competição no sistema financeiro, após os bancos públicos reduzirem suas taxas, e a expectativa de redução dos índices de inadimplência, é possível até que algumas instituições financeiras mantenham inalteradas suas taxas”, acredita.

Opções de investimento

Especialistas do mercado avaliam o atual cenário de investimentos e suas alternativas no período, que aponta para tendência de aumento na curva da taxa de juros até o fim de 2013:

RENDA FIXA

Segundo Bandeira, da Órama, quem investe todo seu capital em renda fixa no contexto atual tem rendimento muito próximo da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou abril em 7,16%, no acumulado de 12 meses, sendo que a meta do governo de janeiro a dezembro deste ano é de 6,5%. “Para ter ganhos mais significativos, é preciso que sair da zona de conforto e apostar em aplicações mais arriscadas”, recomenda. Fundos multimercados e renda variável, como ações e fundos imobiliários, são alternativas de diversificação para quem não precisa do dinheiro no curto prazo.

Quem aplicou em títulos pré-fixados de curto prazo no início do ano perdeu dinheiro
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Quem aplicou em títulos pré-fixados de curto prazo no início do ano perdeu dinheiro

TESOURO DIRETO

Quem investiu em títulos pré-fixados no início de 2013, quando a taxa de juros estava em 7,25% ao ano, perdeu dinheiro com a alta da Selic em maio, se o investimento foi de curto prazo, segundo Chaia, do Insper. Isso porque estes títulos pagam a taxa de juros definida no momento da compra. Papéis do Tesouro Nacional como as LTN (Letras do tesouro Nacional) ou as NTN-F (Notas do tesouro Nacional – Série F) são exemplos deste tipo de aplicação. Em contrapartida, quem apostou em papéis atrelados a juros pós-fixados do Tesouro no início do ano, como as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), pode resgatar o investimento com ganhos proporcionais ao aumento dos juros.

POUPANÇA

O rendimento da aplicação subiu de 5,25% para 5,6% ao ano, com a alta da Selic para 8% ao ano. Segundo levantamento da Anefac, a poupança rende mais que a maioria dos fundos de investimento se a taxa de administração for menor que 0,5% ao ano. Na regra atual, a caderneta rende 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a taxa referencial (TR), quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Abaixo deste valor, ela rende 70% da Selic mais TR, que é sempre igual a zero quando os juros são iguais ou menores que 8% ao ano. “Por não incidir Imposto de Renda e haver liquidez, a poupança é um instrumento vantajoso para o curto prazo e para quem tem poucos recursos, além da necessidade de sacar o dinheiro a qualquer momento”, analisa o docente do Insper.

MERCADO DE AÇÕES

Na opinião de Chaia, se a tendência de alta da taxa Selic se mantiver em 2013, o mercado de ações pode ser afetado negativamente pelo pessimismo dos investidores, atrelado à inflação e ao baixo crescimento no cenário macroeconômico. Para Bandeira, da Órama, é o panorama internacional, a taxa de câmbio e a política econîmica que mais afetam a Bolsa no momento. O investimento, de alto risco, é apontado como alternativa de diversificação da carteira, para atrair rendimentos mais generosos que a renda fixa, em tempos de juros menores. “Mas é preciso acompanhar o mercado para não se arrepender”, adverte Chaia.

DÓLAR

No fim de maio, a moeda americana disparou 7,24% e acumulava alta de 4,99% em 2013. Na quarta-feira (5) valia R$ 2,12. “O dólar é interessante como um investimento de curtíssimo prazo”, analisa o professor do Insper. Ele acredita que, até setembro, a pressão inflacionária no País deve continuar a segurar o dólar neste patamar, mas a tendência é de queda.

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