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Leve alta dos preços em 2012 não inibiu aumento de 21% nas vendas a brasileiros em Nova York. Bom retorno financeiro na metrópole e serviços de concierge em Miami são atrativos

Empreendimento no Upper East Side, em Nova York: apartamentos de  111 metros quadrados a 440 metros quadros vendidos por até US$ 30 milhões
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Empreendimento no Upper East Side, em Nova York: apartamentos de 111 metros quadrados a 440 metros quadros vendidos por até US$ 30 milhões

Mesmo com a discreta retomada dos preços imobiliários nos EUA, a venda de imóveis para brasileiros em Nova York se mantém aquecida. Subiu 21% em 2012, segundo um levantamento da consultoria em pesquisa Hibou/Zapt, enquanto o restante do mercado cresceu apenas 3,4% na metrópole, no mesmo período.

A explicação para o interesse pode estar no mercado interno, com o alto custo e baixo retorno dos imóveis brasileiros, como e vê em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, cujos preços resistem a sinais de queda. Para a CEO da Hibou, Lígia Mello, o retorno financeiro do investimento na ilha de Manhattan, um dos metros quadrados mais valorizados do mundo, é um atrativo ao brasileiro. “O comprador vê na cidade a oportunidade de unir o uso do espaço com a rentabilidade de locação”, analisa.

Em janeiro deste ano, o preço do metro quadrado em condomínios de Manhattan subiu 13% em relação aos 12 meses anteriores, de US$ 12.322 para US$ 13.827, segundo Frederico Gouveia, consultor imobiliário da Corcoran em Nova York.

Após o estouro da bolha imobiliária em 2008, que derrubou os valores dos imóveis nos EUA, a perspectiva de bons lucros continua a atrair investidores estrangeiros, mesmo com a recente alta nos preços. “O mercado imobiliário americano segue aquecido para brasileiros porque há perspectivas de mais valorização enquanto que, no Brasil, os preços dos imóveis continuam em alta”, diz o diretor da imobiliária Elite Internacional Realty, Leo Ickowicz, que faz reuniões no Brasil para atrair compradores nos EUA.

Aliado ao mercado favorável, o maior poder aquisitivo do brasileiro também pode explicar a grande atração por imóveis em Nova York. “Há brasileiros que ganharam mais em 2012. Alcançaram altos cargos, envolveram-se em projetos de startups ou obtiveram rendimentos acima da média na bolsa de valores”, explica a executiva da Hibou.

PERFIL DO PROPRIETÁRIO

Segundo a consultoria Hibou/Zapt, o tamanho do imóvel aspirado pelo brasileiro em Nova York mostra dois perfis de compradores, o solteiro e o de família: 63% escolhem apartamentos pequenos (até 40 metros quadrados) ou grandes (entre 110 e 140 metros quadrados).

Para Frederico Gouveia, consultor imobiliário da Corcoran em Nova York, há três perfis mais comuns de brasileiros que buscam imóveis em Nova York: com filhos adolescentes e planos que estudem na região; casais aposentados, com ou sem filhos, que queiram desfrutar da cidade; e executivos que viajam frequentemente a trabalho.

O brasileiro que comprou imóveis em Nova York em 2012, segundo a pesquisa da Hibou, tem entre 30 e 45 anos, é homem em sua maioria (70%) e predominantemente solteiro. “Entre os que estão na cidade a trabalho, grande parte são sócios de empresas de tecnologia, investidores da bolsa e executivos do mercado financeiro, multinacionais e agronegócios”, diz Lígia, da consultoria que fez o levantamento.

RETORNO FINANCEIRO

Entre os que compram para investir em aluguel em Nova York, o retorno varia com o padrão do imóvel e custos fixos mensais, afirma Frederico, da Corcoran. “O rendimento médio da locação para um apartamento de um quarto em Manhattan é de US$ 3,5 mil. Apartamentos de duas suítes, bem localizados, podem render quase US$ 10 mil por mês”.

Já um apartamento de três dormitórios no Paramount Bay, em Miami, vendido a U$ 1, 35 milhão (R$ 2,652 milhões), tem valor de locação de U$ 5,8 mil (R$ 11,4 mil), segundo a imobiliária Chris Brooks. O retorno, portanto, é de 5,04% ao ano.

No Rio de Janeiro, um apartamento de três dormitórios no bairro do Leblon, por exemplo, vendido a R$ 2,5 milhões, é alugado pelo valor médio de R$ 8,5 mil, segundo pesquisa do Secovi-RJ (Sindicato da Habitação) em fevereiro deste ano. O rendimento, neste caso, é de 3,96% anuais.

Em Miami, onde a demanda de brasileiros por casas e apartamentos continua aquecida, é comum que brasileiros aluguem seus imóveis para temporada, como conta a brasileira Solange Santos, sócio-diretora da imobiliária Chris Brooks, especializada na venda a estrangeiros na Flórida e Nova York. “O aluguel de temporada pode render até US$ 3 mil por semana em Miami”, calcula.

Na cidade balneária da Flórida, destino preferido dos brasileiros, a recuperação imobiliária também é oportuna para quem comprou imóveis no ápice da crise, em 2010. “É um momento favorável para revender com bons lucros”, afirma Solange, que acredita, no entanto, que há muito espaço para valorização futura, diante das perdas acumuladas desde o estouro da bolha.

Quem comprou um imóvel novo em Miami em outubro de 2012, por exemplo, encontra hoje um lançamento vizinho, no mesmo padrão, vendido até 30% mais caro, exemplifica a profissional.

MIAMI x NOVA YORK

Apesar do aumento expressivo na venda de imóveis para brasileiros em Nova York no ano passado, os consultores imobiliários consultados pelo iG concordam que não há migração do comprador de Miami para Nova York. “As cidades têm propostas bem distintas, com preços bem mais baratos em Miami. Se há migração, ela ocorre apenas nos segmentos de alto e altíssimo padrão”, acredita Gouveia, da Corcoran.

“Um pequeno grupo de compradores possui imóveis nas duas cidades, mas eles não se desfazem de Miami para comprar em Nova York”, afirma Lígia, da Hibou.

O americado Jonathan Asbell, especialista no mercado imobiliário em ambas cidades, destaca que muitos estrangeiros compram imóveis mais baratos na Flórida e viajam para Nova York para visitar parentes, como filhos que estudam ou trabalham na metrópole. “A Flórida é um ponto estratégico para quem visita familiares no norte dos EUA, com voos e imóveis mais em conta”.

CONCIERGE

As sócias Solange Santos (e) e Chris Brooks, da imobiliária Chris Brooks: serviço de concierge em Miami tem cerca de 70 clientes, 90% brasileiros
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As sócias Solange Santos (e) e Chris Brooks, da imobiliária Chris Brooks: serviço de concierge em Miami tem cerca de 70 clientes, 90% brasileiros

Com mais brasileiros proprietários de imóveis em Miami, imobiliárias locais descobriram que podiam oferecer o serviço de concierge ao cliente que não mora na cidade e precisa de ajuda na sua ausência. Solange Santos, da Chris Brooks, especializou-se na função, prestada paralelamente à imobiliária, e já tem cerca de 70 clientes fixos em Miami, 90% brasileiros.

Solange explica que qualquer necessidade prática pode ser atendida pelo concierge. “Administramos a residência, desde a limpeza até o pagamento de contas e a manutenção do carro”, conta. Preocupações desconhecidas do brasileiro, como furacões, também ficam a cargo do concierge. “A lei local não permite deixar móveis fora da residência, por exemplo, e cuidamos que estas normas sejam cumpridas”.

O serviço vai além dos cuidados domésticos: o concierge cuida da arquitetura, decoração de interiores e acompanhamento de reformas. Há ainda o serviço chamado ‘club’, que consiste em alugar carros, barcos ou helicópteros para o cliente que procura diversão. Compra de passagens e ingressos para parques ou jogos também ficam nas mãos do profissional.

Há pedidos inusitados, lembra Solange. “Um cliente alugou um avião para comprar um relógio Rolex em outra cidade”. A facilidade pode ser um incentivo ao brasileiro que viaja constantemente à cidade e pensa em comprar um imóvel. Além de encontrar ofertas a preços atrativos, o cliente pode tem alcance tudo o que precisar – ou desejar.

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