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Com juros estáveis até o fim do ano, é hora de investir em CRIs, debêntures e fundos de ações

Ao que tudo indica, o ciclo de cortes na taxa básica de juros chegou ao fim. Pelo menos, em 2012. Não é surpresa, portanto, que os investidores estejam aproveitando o momento — que coincide com o término do ano — para rever as suas estratégias de alocação. De acordo com Maria Eugênia López, diretora do Santander Private Banking, clientes que possuem mais de R$ 3 milhões investidos estão trocando os títulos pós-fixados atrelados à Selic por papéis ligados à inflação.

“O brasileiro sempre foi acostumado a aplicar em renda fixa porque o que juro real era muito atrativo. Todo mundo sabia que a Selic ia cair, mas não conseguiu mapear a velocidade da queda”, diz. “A realocação não tem a mesma rapidez da queda da taxa de juros, porque não necessariamente os títulos tinham vencimento em 2012. Alguns vencem em 2013, por isso vamos ver cada vez mais esse movimento. Daí, a importância da educação financeira para diversificar os investimentos”, diz.

Marcelo Muradian, diretor de investimentos do HSBC Private Banking, diz que o momento ideal para se entrar em boa parte de títulos indexados à inflação e prefixados já ocorreu, mesmo assim o prêmio ainda existe — apesar de pequeno. “Há dois anos, um NTN-B com vencimento em 2014 rendia 5% e passou para 1,97%”, exemplifica. Para o executivo, no momento, a pior escolha é investimento em pós-fixados. Já Rogério Fernando Lot, diretor do Private Bank do Banco do Brasil, acredita que o investimento depende da visão de futuro do cliente. “Se ele entender que o cenário de juros vai se perpetuar pode tentar prefixado. Aquele que acha o BC vai subir os juros para domar a inflação, pode tentar o pós”, argumenta.

De acordo com levantamento feito pelo Brasil Econômico, a rentabilidade das Letras Financeiras do Tesouro (LTF) supera a de títulos, como NTN-B (indexada à inflação) e LTN (prefixada) em todo o ano de 2012 — levando em consideração papéis com vencimento em 12 meses, taxa de administração de 0,20% e imposto de renda de 17,5%. Mas a campeã de retorno, por incrível que pareça, é a caderneta de poupança. Caso a TR seja nula em novembro e dezembro — como aconteceu em setembro e outubro —, o rendimento líquido em 2012 será de 6,48%, com a vantagem de não ter cobrança de imposto de renda.

Diversificação

A palavra de ordem nos private bankings é diversificação. Maria Eugênia conta que aos investidores mais conservadores, está sendo apresentada a possibilidade de alocar recursos em debêntures de primeira linha, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), fundos imobiliários e letras financeiras. “Estamos fazendo simulação para os clientes terem noção da rentabilidade e para saber se vale a pena resgatar o investimento para reinvestir. Mas quem dá a palavra final é sempre ele”, diz. “É um momento importante para os advisors ajudarem os clientes, afinal, quem é rico quer continuar rico, mas agora é mais difícil manter a mesma rentabilidade que se tinha quando a Selic era maior do que 12,5%. Para isso, é preciso minimizar o impacto da queda de juros.”

A executiva afirma ainda que agora entram em cena dois fatores que não passavam de coadjuvantes: prazo da carteira e tributação. “Quando se tem juros reais de 12%, não há incentivo para alongar prazos. Agora, é preciso perguntar quando o investidor vai precisar do dinheiro.” Já em relação a imposto de renda, Maria Eugênia afirma que a rentabilidade era tão alta que compensava. “A base tributaria não caiu com a queda da Selic. O IR faz diferença na hora de escolher onde investir.”

Não é à toa que a vedete do Banco do Brasil sejam as Letras de Crédito Agrícola (LCA), que não tem tributação de imposto de renda. “Tudo vai depender do apetite ao risco do cliente. Antes de olhar para remuneração, é importante olhar para si próprio. Começo a perceber mudança no private banking. Ele está dedicando o seu tempo a ouvir sobre investimentos”, diz Lot, do Banco do Brasil.

Muradian, do HSBC Private Banking, afirma que os clientes estão comprando cotas de fundos multimercados e de ações. “A bolsa anda de lado há muito tempo, mas é importante buscar seletividade. Ibovespa pode não estar subindo muito, mas o setor de consumo andou muito. Um fundo estruturado com papéis do setor rendeu até agora 450% de CDI”, relata o executivo, acrescentando que os clientes super conservadores (que investiam apenas em renda fixa) estão se tornando moderados.

Thomaz Chang, executivo da equipe de análise da Um Investimentos, diz que na carteira de ações para o ano que vem papéis ligados a consumo são impreteríveis. “É difícil dizer, mas deve ter Hering e Pão de Açúcar, por exemplo.” Já a queridinha dos investidores Petrobras não deve constar. “O desempenho ano a ano está fraco e a empresa está sofrendo com questões políticas, no que se refere ao aumento dos combustíveis. Já a Vale veio acima das expectativas, apesar de estar sofrendo com os preços das commodities por causa da China”, acrescenta Chang.

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