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Gosta de vinhos, artes plásticas ou cinema? É possível aplicar em tudo isso e ainda obter rendimentos atraentes

Que tal ter sua própria coleção de filmes nacionais, quadros de autores brasileiros, como Adriana Varejão; e garrafas dos 24 châteaux líderes da consagrada região de Bordeaux?

Já é possível aliar uma paixão de colecionador a retornos financeiros. Os chamados fundos passionais começam a surgir no Brasil.

Como característica comum, eles miram o longo prazo, e são produtos que devem crescer em um cenário de busca por maior rentabilidade e diversificação.

O tempo de investimento gira em torno de cinco anos. Já as cotas mínimas são variadas, e pode ser de R$ 5 mil, R$ 100 mil ou até R$ 1 milhão. Os atrativos são desde o ganho de capital até incentivos fiscais.

A conjuntura econômica também auxilia estes fundos a terem maior rentabilidade. Estes ativos tendem a apresentar menos volatilidade do que a renda variável, e ganhos maiores do que algumas aplicações de renda fixa.

Fenômenos específicos, como o aumento da renda, levam mais espectadores para a indústria do entretenimento no país, por exemplo. Com mais recursos, é possível fomentar a indústria de artes audiovisuais.

Para isso, existem benefícios fiscais, enquadrados nos Funcines, que investem na distribuição e comercialização de filmes nacionais. O investidor ou uma empresa podem alocar no fundo 3% a 6% do imposto a pagar.

A gestora Lacan Investimentos já têm quatro Funcines na carteira. São dez fundos do tipo registrados na Comissão de Valores mobiliários no país.

“Qualquer retorno já será um ganho para os investidores, pois ele está aplicando um dinheiro que seria destinado para o pagamento do imposto”, diz Daniela Assumpção Romero, sócia da gestora.

“Mas, como gestores, buscamos devolver o valor aplicado e ainda obter rendimento”.

O primeiro fundo criado pela Lacan atraiu apenas empresas, mas os três posteriores também chamaram a atenção de pessoas físicas, que são quase 10% dos fundos. “São curiosos, que são incentivados pelo gosto pelo cinema e pelo incentivo fiscal.”

No Anima São Paulo, que investe em curtas e médias metragens com temática infantil, este ganho já atingiu mais do que 6% desde a sua criação, assim como o Rio I, que investe na comercialização de filmes e também na reforma de salas de cinema.

Outros fundos também aproveitam o potencial de crescimento de um segmento, como o Golden Art, do banco Brasil Plural, cujo foco são artistas plásticos emergentes.

“Mais recursos no mercado, novos artistas e colecionadores foram os fatores que nos levaram a criar o fundo”, diz Heitor Reis, um dos sócios do fundo Brazilian Golden Art e que tem 30 anos de trabalho em museus.

“Existem muitos investidores internacionais de olho na produção brasileira. É um processo que está apenas começando”, diz Reis.

Fechado para a captação, o foco do Golden Art é ter um ganho de capital bem acima de índices como o CDI. Na conversa, Reis cita 80%.

Enquanto estes fundos não têm um índice de referência específico, outros se assemelham mais a uma aplicação estritamente financeira.

É o caso do fundo Bordeaux Wine, da Cultinvest. Considerado um fundo multimercado, ele investe em um fundo no exterior e segue um índice especializado. O foco são investidores qualificados.

Para diluir riscos, os fundos buscam equilibrar ativos de maior e menor risco e ter uma carteira ampla.

O Golden Art já tem 600 obras na carteira, e busca dividi-la em autores emergentes e consagrados, na proporção de 80% e 20%, respectivamente.

No Bordeaux Wine, o limite para se aplicar em vinhos que ainda não foram engarrafados é de 20%.

Menos líquidos, os ativos têm um período de desinvestimento, geralmente de um ano. Caso o investidor queira resgatar o valor antes do prazo final do fundo, pode ter que pagar um ‘pedágio’. No Bordeaux Wine, há uma taxa de saída, que é decrescente conforme o prazo da aplicação aumenta.

Apesar de sofrerem menos com a volatilidade por não estarem relacionados a índices do mercado, entre os riscos destas aplicações está o de demanda e negociabilidade no mercado..

Os que investem em projetos, como filmes, a falta de aceitação dos espectadores pode não compensar o investimento. No mercado de obras de arte, uma determinada obra pode se desvalorizar rapidamente.

É necessário, portanto, prestar atenção na seleção de ativos, que deve ser cuidadosa e feita por gestores experientes no segmento.

No caso de vinhos, existem ainda os riscos de armazenagem.

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