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Com a moeda norte-americana a R$ 2, o melhor a fazer para proteger seu dinheiro é fazer compras graduais e fugir de fundos cambiais

Compras graduais de dólares podem ser feitas em espécie e cartões pré-pagos
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Compras graduais de dólares podem ser feitas em espécie e cartões pré-pagos

Para quem vai viajar daqui a alguns meses e está sem saber o que fazer após as recentes altas do dólar, a sugestão é que compre a moeda gradualmente, até a véspera da viagem. Dessa forma, o viajante pagará preços diferentes, ora mais baixos, ora mais altos. “Vale a pena ir comprando aos poucos, para conseguir um valor médio, já que a oscilação é uma incógnita,” diz Leonardo Bortoloto é sócio e consultor de investimentos da Aditus Consultoria Financeira.

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Além de se proteger contra as oscilações da moeda, dessa forma o viajante não precisará desembolsar todo o dinheiro de uma só vez. Levando os dólares, também não gastará muito no cartão de crédito, que cobra um imposto sobre operações financeiras (IOF) de 6,38%, o que acaba deixando as despesas mais custosas.

As compras não precisam ser feitas exclusivamente em papel moeda, mas também em depósitos em cartões pré-pagos, como o Visa Travel Money e o Confidence Travel Card, que têm a incidência de um imposto de apenas 0,38% e são seguros, diz Reinaldo Domingos, educador financeiro e diretor da DSOP. “Dessa forma, o viajante não fica com dinheiro em casa corre menos risco até o dia que for viajar e também durante o passeio,” afirma. A sugestão dele é que no máximo 20% do total dos dólares sejam comprados em espécie.

O ideal, a opinião dos especialistas, é fazer uma mescla das três opções: “ter o cartão pré-pago, deixar a diferença no cartão de crédito e levar um pouco de dinheiro,” diz Keyller Carvalho da Rocha, professor de Finanças da Fundação Instituto da Administração (FIA). Com a moeda em espécie, o viajante pode pagar as compras menores, táxis e outros transportes. Os gastos maiores ficam com o cartão pré-pago e as despesas extras ou compras não planejadas com o cartão de crédito, diz o professor.

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Ele lembra que apesar da desvantagem do IOF, o cartão de crédito tem a vantagem de não exigir o recuso previamente. “Além disso, a conversão para real é feita no cálculo da fatura. Se o dólar cair após a viagem, pode ser até que a diferença compense o imposto,” afirma.

O investidor que está mais acostumado com o mercado e pretende gastar bastante no exterior pode tentar uma forma de proteção um pouco mais arrojada: a compra de contratos futuros de dólares. Os títulos são negociados na BM&F e podem ser adquiridos por meio de corretoras de valores. Ao comprar um contrato a um valor prefixado com vencimento em uma data futura, o viajante consegue saber exatamente quanto vai pagar pela moeda. Se o dólar estiver mais caro, ele garante que pagará a taxa acordada na compra do título. Se estiver mais barato, terá prejuízo. “É uma alternativa para um investidor mais qualificado, um microempresário ou alguém que costuma gastar mais na viagem,” diz Leandro Ruschel, diretor da Escola de investidores Leandro Stormer.

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O investimento em fundos cambiais é desaconselhável, segundo os especialistas. “São operações altamente arriscadas. Da mesma forma que agora estamos vendo um processo de desvalorização do real, o mercado pode reverter e operar no sentido de R$ 1,90. Não é um risco aconselhável para o viajante e o pequeno investidor,” diz Otto Nogami, professor de Finanças do Insper. Além disso, a aplicação em fundos tem a taxação de um imposto de renda de 15% sobre os lucros, além das taxas de administração cobradas pela instituição gestora, acrescenta Carvalho da Rocha, da FIA.

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