Tamanho do texto

Especialistas indicam diferentes usos para quem está endividado ou livre de pendências financeiras

Usar a restituição do Imposto de Renda para quitar dívidas com cartões de crédito é uma das opções recomendadas por consultores em finanças pessoais
Getty Images
Usar a restituição do Imposto de Renda para quitar dívidas com cartões de crédito é uma das opções recomendadas por consultores em finanças pessoais
A Receita Federal pagou, nesta segunda-feira, o 5º lote de restituição do IR 2011 . Para muitos contribuintes, surge a dúvida sobre o que fazer com o dinheiro extra. Investir, quitar dívidas ou depositar os recursos na poupança estão entre os caminhos mais procurados pelos brasileiros. Algumas precauções, entretanto, devem ser tomadas. “A primeira coisa a ser feita antes de resolver o destino da renda extra é uma análise econômica para identificar possíveis problemas e descontrole nas finanças”, diz Reinaldo Domingos, educador financeiro.

Estabelecer um planejamento que relacione despesas e investimentos facilita na hora de decidir o melhor caminho para a restituição. "O uso dos recursos depende do valor que a pessoa receberá ", diz Dora Ramos, do escritório especializado em soluções contábeis Fharos. "Pode-se usar o dinheiro para antecipar a quitação de uma dívida, ou pagar parcelas de cartão de crédito", diz. Outra opção é começar a fazer uma poupança para usar nos gastos do fim do ano, afirma.

Segundo Domingos, o dinheiro não deve ser usado para quitar débitos antes que se faça uma boa avaliação da situação financeira. “Quem está endividado deve primeiro organizar-se e descobrir quais erros foram cometidos em suas finanças. De nada adianta pagar se não entender os motivos do problema para evitá-lo futuramente. O ideal é estabelecer metas no orçamento e negociar as pendências, reduzindo os gastos supérfluos”, afirma.

A amortização de dívidas é uma das opções mais recorrentes para o uso da restituição do IR. Apesar disso, até mesmo nesta situação é preciso ter disciplina e planejamento . Quem faz a escolha de quitar as dívidas deve priorizar aquelas que tenham maior incidência de juros. “O contribuinte também precisa analisar se é interessante pagar uma conta em atraso ou com vencimento próximo. O ideal é não deixar vencer a data de pagamento para escapar da cobrança de juros e negociar os débitos pendentes”, diz Álvaro Modernell, educador financeiro.

Outro emprego da restituição pouco aconselhável para quem possui dívidas é aplicar o valor na entrada de um parcelamento. “Usar o dinheiro para ficar mais endividado é um erro porque você transforma o bônus em prejuízo, já que o pagamento parcelado não é um negócio vantajoso. É importante não contrair dívidas de consumo, independente das condições”, diz Modernell. Pensar, entretanto, que deixar o dinheiro parado é o melhor caminho também não é uma opção interessante, já que o contribuinte pode consumi-lo sem perceber ou entregá-lo ao cheque especial.

Da viagem ao investimento

Para quem não possui dívidas as opções de investimento e aplicações são maiores. Uma das possibilidades é transformar a restituição em uma reserva para emergências. “A poupança nesse sentido pode ser a melhor saída, já que não há preocupação com rendimentos elevados e o objetivo é guardar dinheiro”, afirma Modernell. “Além disso, os contribuintes que não têm dívidas podem se permitir pequenos luxos, como presentear alguém ou sair para jantar”, diz.

Aumentar o valor de investimentos também é uma alternativa no destino da renda extra. Para tanto, é indicado estabelecer metas de curto, médio e longo prazo. “Entre as opções mais vantajosas, para investimentos de um a 10 anos, estão as aplicações em CDB e títulos públicos. Já para objetivos de longo prazo, o dinheiro pode ser investido em previdência privada e ações na bolsa ”, diz Domingos.

(colaborou Aline Cury Zampieri, iG São Paulo)