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São diversas ocorrências semelhantes, após o Banco Central determinar que as notas com tinta rosa antifurto não valem mais

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Uma idosa de 83 anos perdeu os R$ 500 de sua aposentadoria porque todas as cédulas estavam manchadas com a tinta rosa antifurto dos caixas eletrônicos. O dinheiro foi sacado em um banco pelo neto dela, que não percebeu o problema - temendo ser assaltado, ele não conferiu as notas.

O drama de Madalena Rosa de Jesus, moradora da Brasilândia, na zona norte da capital, começou no dia 1.º. O problema surgiu quando Madalena pediu à filha, Clemência, de 53 anos, para pagar as contas de luz e água da família. Na hora de quitar as faturas no banco, a atendente informou que as cédulas eram inválidas e seriam retidas.

A agência, diz Clemência, ficou com as notas, entregou uma cópia a ela e informou que as cédulas seriam investigadas, o que deve levar um mês. "Minha mãe depende desse dinheiro para sustentar a casa e também para comprar remédios", diz. "Nem chegamos a fazer boletim de ocorrência, porque acho que o banco é que tem de se virar, não eu ou minha mãe, que nem consegue sair de casa direito." A família tem renda de cerca de R$ 1 mil, contando com o dinheiro da aposentadoria de Madalena.

Outros casos

Nos últimos dois dias, a reportagem encontrou ao menos outros seis casos de pessoas que se queixaram à polícia por ter sacado cédulas manchadas em caixas. Todas apresentaram as notas aos bancos onde foram feitos os saques, mas isso não é garantia de que terão os valores restituídos.

Portador de cédulas não será ressarcido
Dilvulgação
Portador de cédulas não será ressarcido
Na semana passada, o Banco Central publicou resolução com orientações aos bancos. A troca do dinheiro deve ser feita no caso de saques em caixas eletrônicos. Se a nota for recebida no comércio, o banco não precisa fazer a devolução.

Entre as ocorrências está o caso de um rapaz de 32 anos que anteontem foi a um caixa em um supermercado e sacou R$ 50. Após observar uma mancha rosa, ele foi a uma delegacia. A mulher dele, que pediu para não se identificar, conta que o delegado os orientou a esperar até oito dias. Se não houver ressarcimento, foram orientados a procurar o Procon . "Sei que pode parecer pouco, mas para um pai de três filhos faz falta."

Em outro caso, em um posto de gasolina na Avenida do Estado, no Ipiranga, um frentista aceitou, sem perceber, nota de R$ 50 manchada. "Mandamos para o banco e vamos aguardar", diz João Vianey Souza, colega do funcionário que recebeu o dinheiro.

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