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Com os cofres cheios apesar da crise econômica global, o fundo soberano chinês adquiriu no ano passado, sem fazer alarde, mais de US$ 9 bilhões em ações de algumas das maiores empresas americanas - dentre elas o Morgan Stanley, o Bank of America e o Citigroup.

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Embora pequenas em sua maioria, o China Investment Corp - fundo de investimentos de US$300 bilhões do governo chinês - agora tem participações acionárias em algumas das marcas americanas mais conhecidas, como Apple, Coca-Cola, Johnson & Johnson, Motorola e Visa.

A lista detalhada, contendo ações que totalizavam US$9,6 bilhões até 31 de dezembro, foi revelada em um documento ao Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão norte-americana de valores mobiliários. Na lista constam apenas as participações em empresas que operam nos Estados Unidos.

O documento dá uma pequena amostra de como a China vem tentando diversificar seus mais de US$ 2 trilhões de investimentos em moeda estrangeira em ações, ao invés de investir quase que totalmente em títulos do tesouro americano e em outros títulos governamentais, ou ainda de empresas financiadas pelo governo ¿ como a Fannie Mae. 

O primeiro ministro chinês Wen Jiabao, assim como outros oficiais do governo, por diversas vezes demonstrou preocupação em relação aos títulos do tesouro americanos adquiridos pelo país, pois os mesmos poderiam ser afetados negativamente pela inflação ou pelo aumento da dívida dos Estados Unidos.

Ao comprar títulos de empresas internacionais, a China está tentando espalhar, de forma mais abrangente, sua riqueza em franco crescimento. Dessa forma o país também busca adquirir participações estratégicas em empresas que poderiam alimentar sua economia faminta com uma grande variedade de commodities. 

Patrimônio do fundo

O China Investment Corp., que já figura entre os maiores fundos soberanos do mundo, foi formado em 2007 com cerca de US$ 200 bilhões. Atualmente ele já tem ativos próximos dos US$ 300 bilhões e, segundo veículos de comunicação controlados pelo governo daquele país, aguarda outra grande injeção de fundos.

Um porta-voz da corporação, sediada em Pequim, não respondeu às mensagens de email ou telefonemas em busca de comentários. Analistas, porém, dizem que o documento mostra que o fundo investiu apenas uma pequena porção de seus US$ 300 bilhões em ações americanas, mostrando também estar seguindo uma estratégia cautelosa para diversificar globalmente. No início, seus maiores investimentos foram aplicados para dar apoio ao capital de bancos chineses.

Isto ainda é uma quantia relativamente pequena quando comparada ao volume total do fundo, afirmou Chang Chun, professor de finanças da China Europe International Business School, de Xangai.

Início difícil

O fundo soberano de investimentos teve um início difícil em 2007 e começo de 2008 ao adquirir ações preferenciais da Blackstone, empresa americana de private equity, e pagar mais US$ 5 bilhões pela participação acionária de 9,9% do Morgan Stanley.

As ações de ambas as empresas despencaram em 2008 durante a crise financeira, levando a um temporal de críticas direcionadas ao fundo. Entretanto, analistas dizem que o fundo teve um bom desempenho em 2009, especialmente por estar comprando agressivamente com a retomada do mercado.

O documento não revela o volume exato de ações de diversas empresas adquiridas pelo fundo. As aquisições de ações preferenciais da Blackstone e do Morgan Stanley não constam na lista, aparentemente por estas empresas não serem traded equities.

Marcas famosas

O documento indica que a corporação tem um total de US$ 19 milhões em ações do Bank of America, aproximadamente US$ 30 milhões do Citigroup e cerca de US$ 333 milhões do Visa, além de investimentos em diversos fundos indexados.

Os maiores investimentos do fundo revelados na lista são os US$ 1,7 bilhão em ações do Morgan Stanley e os quase US$ 650 milhões de ações da BlackRock, gestora nova-iorquina de recursos independentes.     

A participação acionária do Morgan Stanley foi adquirida em junho passado, quando o banco de investimentos emitiu cerca de US$ 2,2 bilhões em ações ordinárias para ajudar a repagar o governo americano através do TARF ¿ Troubled Asset Relief Program, o programa governamental de assistência financeira ao setor. O fundo chinês adquiriu cerca de US$ 1,2 bilhão em ações naquela ocasião.

O crescente alcance financeiro da China tem causado apreensão em alguns políticos norte-americanos, que estão particularmente preocupados que o país oriental venha a buscar no ocidente influencias políticas proporcionais às suas participações corporativas. 

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