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Custo mensal do metro quadrado comercial em Ipanema e Leblon já chega a R$ 260; em São Paulo, metro quadrado na Faria Lima sai por R$ 200

O Rio de Janeiro tem hoje o aluguel comercial mais caro do País em empreendimentos de alto padrão. Segundo pesquisa da consultoria imobiliária internacional Colliers à qual o iG teve acesso, o custo mensal máximo do metro quadrado comercial em Ipanema e Leblon, na zona sul da capital, chegou a R$ 260 no final de 2011, garantindo à cidade a primeira posição no ranking dos aluguéis mais caros do País. Em São Paulo, o metro quadrado comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, ponto mais nobre da cidade, fechou 2011 com valor máximo de R$ 200. Brasília ficou em terceiro lugar, com um custo mensal de R$ 120 por metro quadrado comercial.

Vice-presidente da Colliers International no Brasil, Sandra Ralston avalia que dois fatores sustentam a liderança do Rio de Janeiro no ranking dos aluguéis comerciais mais caros do Brasil. O primeiro deles é a geografia da cidade, que limita a expansão dos espaços disponíveis. Em segundo, vem a recuperação da economia fluminense e o crescente interesse de empresas nacionais e estrangeiras em montar operações na cidade. “Há uma grande demanda reprimida do mercado por imóveis no centro e na zona sul e a oferta está estrangulada”, diz.

Metro quadrado comercial em Ipanema e Leblon é o mais caro do País
Pedro Kirilos/Riotur
Metro quadrado comercial em Ipanema e Leblon é o mais caro do País

 Ronaldo Coelho Neto, vice-presidente administrativo do Secovi RJ, confirma o momento vivido pelo Rio. Durante muitos anos, diz, o que se viu foi uma evasão de empresas. Com a reversão desse movimento, faltam espaços. “Encontrar uma planta acima de 500 metros quadrados na cidade é difícil”, diz.

E, se os preços elevados não chegam a mudar os planos de empresas internacionais de fixarem endereço no Rio, é certo que, em muitos casos, os projetos de expansão são adiados. Segundo Sandra, uma grande empresa do setor de cosméticos congelou os planos de mudar-se para um espaço mais amplo pelo fato de não ter ainda encontrado um local adequado às suas necessidades no centro da cidade. “Apesar de a cidade contar com a opção da Barra da Tijuca, a questão do transporte ainda afasta muitas companhias da região”.

Coelho Neto diz que é bastante comum no Rio ver empresas espalhadas em diferentes endereços por falta de espaços que comportem toda a operação. Nesses casos, a diretoria fica em locais mais nobres, como Leblon, enquanto os outros departamentos são instalados em regiões mais baratas.

Diante da falta de espaços para novos empreendimentos, o Rio tem adotado uma estratégia bastante usada em outras grandes cidades, como Nova York, Paris e Londres: a reforma de prédios antigos, ou, no jargão do mercado imobiliário, retrofit.

“O Rio segue uma tendência mundial de reurbanização de centros históricos. Embora muitas vezes seja mais caro reformar um prédio inteiro a construir um novo, essa é uma maneira mais rápida de entrar garantir o espaço desejado numa área nobre da cidade, que fica perto dos dois aeroportos cariocas”, afirma.

Edifícios residenciais atraem investidores

A executiva conta ainda que alguns fundos imobiliários estão trabalhando com a alternativa de comprar edifícios residenciais para transformá-los em flats a serem oferecidos para grandes bandeiras hoteleiras. “Conheço dois projetos, um no Flamengo e outro no Leblon, em que os investidores estão negociando a compra de todos os apartamentos de um edifício residencial”. Com a Copa e as Olimpíadas, acrescenta, as principais bandeiras de hotéis querem, de qualquer maneira, encontrar espaço nas áreas mais nobres do Rio.

Apesar do grande descompasso entre demanda e oferta, tanto Sandra quanto Coelho apostam em uma estabilização dos preços de locação comercial. “Acredito que haverá uma acomodação de valores. Se o mercado seguir em uma trajetória de alta, a conta começa a não fechar, tanto para os investidores quanto para as empresas que necessitam dos espaços”, avalia.

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