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Custos elevados de mão de obra, materiais de construção e terrenos devem seguir pressionando o setor

Os preços dos imóveis no Brasil continuarão em alta nos próximos anos, na avaliação da Cyrela. “Como tendência, não há nada que indique que os preços vão se acomodar”, afirmou nesta terça-feira Ubirajara Spessoto, diretor geral da Cyrela São Paulo.

Com demanda ainda forte, Cyrela diz que tendência de alta dos preços dos imóveis deve continuar
AE
Com demanda ainda forte, Cyrela diz que tendência de alta dos preços dos imóveis deve continuar

Os custos elevados de mão de obra e materiais de construção devem seguir pressionando o setor. O câmbio também pesa sobre os custos, em especial no caso de produtos como cimento e aço, que têm seus preços influenciados pela cotação do dólar. Outro fator é a alta no valor dos terrenos, que ficaram mais caros em todas as regiões do País, segundo o executivo.

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“Não equação de custo não tem refresco. Ou diminui margem ou o preço sobe”, disse Spessoto. Como a demanda por imóveis continua forte, apesar da desaceleração verificada ao longo de 2011, os preços dos imóveis devem seguir em alta. “O preço deve absorver o aumento dos custos”, afirmou.

Sem promoções

Ao contrário do que foi anunciado por algumas construtoras, a Cyrela não planeja promoções ou descontos em seus imóveis no quarto trimestre. “Não vamos de forma nenhuma diminuir margem em prol de velocidade maior [de vendas]”, disse Spessoto.

A regra também vale para imóveis no segmento econômico, a cargo da Living Construtora. “Boa localização e bom produto é nosso diferencial”, afirmou Antônio Guedes, diretor geral da Living.

No início do quarto trimestre, a Cyrela havia atingido 85% da sua meta de lançamentos e 80% do guidance de vendas para 2011, que prevê a entrega de um total de 25 mil unidades. Se confirmado, o número representará um crescimento de 62% em comparação ao registrado em 2010. 

Mercado forte, mas crescendo menos

A Cyrela trabalha com um cenário de crescimento menor para a economia em 2012, o que deve fazer com que o mercado imobiliário continue a se acomodar – mas em um patamar elevado. “A oferta continuará consistente. Não vamos assistir em 2011 e 2012 a mesma velocidade [de lançamentos e vendas] que tivemos no segundo semestre de 2009 e em 2010”, afirmou Spessoto. “Mas o mercado está forte para bons produtos”, disse.

Após ter ficado praticamente parado com a crise financeira mundial de 2008, o setor imobiliário teve um crescimento expressivo entre o final de 2009 e todo o ano de 2010, já que a demanda por imóveis continuava aquecida. O movimento também foi impulsionado pelo início do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Para 2012, a construtora e incorporadora projeta crescimento entre 3% e 3,5% para o País. “Toda vez que o Brasil cresceu 3%, o mercado imobiliário de São Paulo cresceu entre 10% e 15%”, disse Spessoto. Além disso, a Cyrela não espera que o setor sofra com restrição de crédito no ano que vem. “Nosso cenário-base não é de crise se alastrando para o Brasil.”

Segundo o vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores companhia, José Florêncio Rodrigues, o guidance para 2011 e 2012 ainda pode sofrer nova revisão, mas a projeção atual “parece bem razoável”.

A empresa espera fechar o ano com vendas entre R$ 6,9 bilhões e R$ 7,7 bilhões (alta de 10% a 25%). Para 2012, o cenário é de vendas de R$ 8 bilhões a R$ 8,9 bilhões (avanço de 4% a 16%).

“A boa notícia para 2012 é que a gente espera ter um ano inteiro de geração de caixa”, disse Spessoto. No terceiro trimestre, a Cyrela registrou geração de caixa de R$ 60 milhões, excluindo recompra e aquisição.

( Atualizada às 15h32 )

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