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Ex-presidente do Banco Central pondera que problema é localizado em regiões do Rio de Janeiro e São Paulo; sobre a OGX, ele diz que foi grande aposta também para o BNDES

Meirelles: Rio de Janeiro é a cidade com situação mais grave no campo imobiliário
Antonio Cruz/ABr
Meirelles: Rio de Janeiro é a cidade com situação mais grave no campo imobiliário

Para Henrique Meirelles ex-presidente do Banco Central (BC), o Brasil enfrenta um problema de bolha imobiliária. Para o economista, o fato ocorre "claramente em algumas regiões do Rio de Janeiro e algumas regiões de São Paulo" – mercados onde o preço dos imóveis dispararam. Mas no País a bolha imobiliária tem características muito diferentes das vistas nos Estados Unidos, ressalta. "Por aqui, ao contrário do que se viu nos EUA, não houve efeito na economia real", diz.

Segundo Meirelles, a bolha imobiliária americana tinha como uma das principais caracteríticas a alta alavancagem em crédito. "Quando você tem um estouro da bolha de crédito, existe a possibilidade de contaminar a economia como um todo. Não acho que isso esteja acontecendo no Brasil, já que o crédito imobiliário por aqui não tem nem de perto esse tipo de presença", avalia.

Aposta em Eike Batista

Recentemente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que pretende intensificar os financiamentos de projetos da área de infraestrutura. Nos últimos anos, a prioridade do banco foi fazer empréstimos e se associar a empresas em condições de se tornarem multinacionais brasileiras.

Na opinião de Meirelles, a mudança de estratégia não tem relação com a aposta mal sucedida feita pelo banco nas empresas de Eike Batista.  A maior delas, a OGX, pediu recuperação judicial na quarta-feira (30) e espera-se o mesmo para a OSX .

Quem se juntou a Eike, segundo Meirelles, estava atrás de uma aposta
Elisa Rodrigues / Futura Press
Quem se juntou a Eike, segundo Meirelles, estava atrás de uma aposta

"Essa mudança do BNDES é uma evolução gradual. As empresas globais hoje estão muito mais fortes do que há oito, dez anos, e com presença internacional. A grande necessidade do País hoje é infraestrutura", analisa.

O ocaso da OGX, avalia Meirelles, é uma situação e não deve levar a uma generalização que contamine outras companhias brasileiras. Ele explica: "É uma empresa muito alavancada, uma grande startup. Não se pode confundi-la com uma empresa com um histórico e uma grande eficiência".

Ainda segundo o ex-presidente do BC, a OGX e as outras empresas de Eike foram "uma grande aposta de todos". "Foi do próprio Eike, dos executivos, dos acionistas, dos investidores, dos credores, inclusive do BNDES. Era um grupo de grandes startups que não deram certo", comenta Meirelles. 





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