Tamanho do texto

Segundo FenaPrevi, hoje, existem mais de 10 milhões de contratos e cerca de R$ 400 bilhões em ativos

Estudo diz que 30% dos brasileiros se preocupam em poupar em dinheiro
Arquivo
Estudo diz que 30% dos brasileiros se preocupam em poupar em dinheiro

Segundo estudo da FenaPrevi divulgado recentemente, 30% dos brasileiros se preocupam em poupar em dinheiro. A previdência privada é uma das opções para isso: 21% dos entrevistados declararam ter interesse em adquirir um plano de previdência complementar aberta algum dia, 16% pensam em iniciar os investimentos nos próximos cinco anos e, 5%, nos próximos 12 meses.

Dados da federação mostram que hoje, no Brasil, existem mais de 10 milhões de contratos do investimento e cerca de R$ 400 bilhões em ativos.

Ainda assim, Evely Silveira, gerente comercial de Previdência da Porto Seguro afirma o produto ainda tem uma participação pequena entre as famílias. “A procura cresceu bastante, o produto está mais na mídia, mas ainda falta conhecimento de quem compra e de quem vende”, afirma.

Leia mais: Calcule quanto custará seu plano de Previdência Privada

Entenda como funciona um plano de previdência privada

Evely explica que a previdência privada é um produto de acumulação. “As pessoas, quando adquirem o plano, determinam o valor de contribuição. Podemos calcular qual o valor final que ele conseguirá arrecadar com esse aporte mensal, ou qual deve ser o aporte para que a pessoa consiga alcançar o valor desejado.” O contribuinte pode resgatar o arrecadado uma única vez ou pode optar por receber uma renda mensal.

O resultado é um valor estimado e depende da rentabilidade do produto. “O fundo de investimento de previdência não é um fundo bancário. Ele é aprovado pela CVM e a sua regulação exige que ele tenha no máximo 49% de renda variável, para que os contribuintes não corram muitos riscos”, diz Evely.

Quem tem um perfil mais conservador pode colocar 100% do valor investido em um fundo de renda fixa. Quem prefere arriscar, pode optar pela renda variável também. “Em média, a rentabilidade anual da previdência é de 6%. Não falamos em valores maiores para não iludir os clientes”, explica a gerente.

Reajustar investimentos é importante para bom desempenho

O investimento mensal feito pelos beneficiários pode ser mudado a qualquer momento. E é importante que seja.

“Os clientes não costumam fazer isso porque acabam esquecendo. Mas é importante fazer essas adequações em momentos como mudança de emprego ou outras situações que te permitam aumentar o aporte”, explica Evely.

Aportes podem ser deduzidos do Imposto de Renda

Quem opta pela modalidade PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) pode aproveitar benefício permitido pela Receita Federal. Os aportes podem ser deduzidos da base de cálculo do Imposto de Renda até o limite de 12% da renda bruta anual tributável.

No entanto, no resgate ou recebimento de renda o IR incidirá sobre o valor total e rendimentos. “A previdência privada é um produto de longo prazo. No mínimo, dez anos de investimento. Para investimento a curto prazo, o imposto come toda a rentabilidade”, diz Evely.

Para ter acesso ao benefício, é preciso optar pelo modelo de declaração completa.

Taxas de administração podem tornar produto menos atrativo

As taxas que precisam ser pagas pelo contribuinte nesse tipo de produto são os principais motivos para que Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora, o ache menos atrativo do que outros tipos de investimento.

“Na previdência privada, é preciso ficar atento a informações que muitas vezes são ocultadas, como a existência de taxas de saída, entrada, carregamento e período de carência”, explica.

A taxa de entrada é a que incide no aporte inicial e nos aportes mensais do contribuinte. A taxa de saída é cobrada quando o investidor retira o montante do fundo. Além disso, muitos contratos impedem que o valor investido seja retirado antes de determinado período. “Tudo isso deve estar explicitado no contrato e o cliente precisa ficar atento”, diz Martins.

Há também a taxa de carregamento, que é anual e incide sobre todo o patrimônio do investidor e taxa de corretagem – essa última não é cobrada por algumas corretoras. “Eu considero que toda taxa acima de 1% pode ser considerada abusiva.”

Também é preciso ficar atento à gestão do investimento. “Essa modalidade de investimento é uma das piores em ponto de vista de performance. Além disso, muitas vezes o investidor conservador vê que a rentabilidade do investimento fiou negativa porque o fundo tem renda variável e a houve má gestão de ações.”

Outros investimentos podem ter maior rentabilidade

Investidores conservadores podem optar pela compra de LFT, Letras Financeiras do Tesouro, que podem ser compradas em qualquer corretora e podem ser vendidas toda quarta-feira. A rentabilidade é próxima à Selic, que hoje está em 11,25%.

Também há taxas, como a de corretagem de custódia, mas Martins afirma que elas são mais baixas em relação aos fundos de previdência privada.

Os que não se importam em correr riscos podem optas pelas LCI, Letras de Crédito Imobiliária que não têm tributação e têm rentabilidade atrelada ao CDI, custo dos empréstimos interbancários que, em regra, acompanham de perto a variação da taxa Selic.

“O investidor pode se disciplinar e montar um plano que todo mês invista determinado valor de aporte, comprando ativos”, explica Martins.