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Levantamento do iG leva em conta preços de passagens aéreas para os três jogos da primeira fase; valor chega a R$ 2 mil

Imagine desembarcar em Natal, no Rio Grande do Norte, e ter de rumar para Manaus, na Amazonas, e, depois, voltar para o Nordeste do País, agora para o Recife, em Pernambuco. Tudo isso em apenas dez dias. São mais de 10 horas de viagem e mais de 9 mil quilômetros percorridos, considerando os dois trechos, partindo de Natal, além da volta para Natal.

É esse o trajeto que os torcedores americanos que quiserem acompanhar sua seleção de perto terão de percorrer durante a primeira fase dos jogos do Mundial de Futebol . Não à toa, eles são os turistas que irão gastar mais no torneio quando se trata de passagens aéreas entre cidades brasileiras: R$ 2 mil.

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É o que conclui simulações feitas pelo iG no site Skyscanner, comparador de preço de passagens. O levantamento considerou os três jogos da primeira fase de cada seleção participante do torneio, os únicos cujos times já estão definidos, e incluiu a volta para a cidade de partida, considerando que a equipe tenha sido eliminada ainda na primeira fase.

Alguns torcedores terão que se deslocar mais por conta do sorteio das partidas
Divulgação
Alguns torcedores terão que se deslocar mais por conta do sorteio das partidas

O levantamento de preços foi feito nesta quinta-feira (20), e o dia escolhido para a viagem simulada, na maioria dos casos, foi o dia intermediário entre as partidas.

Foram levados em consideração três trechos, entre a cidade da primeira partida e a segunda, entre a segunda e a terceira partida, além da volta para a cidade de saída, considerando que o torcedor já tenha desembarcado no Brasil nas cidades no qual o primeiro jogo será realizado.

O valor que os americanos irão pagar nos dois trechos entre as cidades brasileiras é 73,40% maior do que os torcedores chilenos irão ter de desembolsar para acompanhar os três jogos da sua seleção. Os hermanos terão apenas de se deslocar entre Cuiabá, Rio de Janeiro e São Paulo. Os três trechos custam R$ 535.

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Depois dos torcedores americanos, quem irá pagar mais pelo deslocamento para acompanhar a sua seleção são os ingleses, que terão de gastar R$ 1.367 para se viajar de avião entre Manaus, São Paulo e Belo Horizonte.

Os torcedores colombianos terão de pagar R$ 1.332 para acompanhar as partidas e, os brasileiros, R$ 1.031. Os turistas franceses terão de desembolsar R$ 962, os australianos irão gastar R$ 713, os mexicanos terão de pagar R$ 630 e, os argentinos, R$ 621.

Os torcedores das nove nacionalidades citadas foram os que mais compraram ingressos para o Mundial de futebol até agora, de acordo com a Fifa. Os brasileiros lideram o número de turistas com ingresso para as partidas: são 207,6 mil.

Eles são seguidos pelos americanos (20,9 mil), colombianos (5,9 mil), australianos (5,7 mil), argentinos (4,6 mil), ingleses (4,2 mil), mexicanos (3,9 mil), franceses (3,3 mil) e chilenos (3 mil). 

Trechos que incluem Manaus são os mais caros

O trecho mais caro é o que tem Manaus como cidade de saída ou destino, cujo preço começa na faixa de R$ 500. Em diversas simulações, as passagens mais baratas eram oferecidas em trechos mais longos, com diversas escalas.

As escalas, aliás, farão parte da viagem de muitos torcedores, e podem alongar o período da viagem em uma a duas horas, ao menos.

O vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Edmar Bull, se diz surpreso com os preços das passagens. "Alguns trechos, como a ponte aérea Rio-São Paulo, podem ser comprados por R$ 300. É um preço normal. Achamos que iria subir durante o evento, mas isso não aconteceu", conta.

Bull verifica que a alta reflete o aumento do número de voos, autorizados recentemente pela Agência Nacional de Aviação (Anac). "Hoje, existe uma oferta maior do que a demanda, pois os bloqueios foram devolvidos por falta de ingressos para algumas partidas. Hoje está sobrando lugar."

O representante da Abav, porém, cita que podem surgir problemas pontuais. "Mas o turista pode adiar ou adiantar a viagem e mudar de horário que irá encontrar preços melhores. Há flexibilidade."

Doze cidades-sedes são entrave para deslocamento

A decisão da Copa no Brasil agregar 12 cidades para sediar as partidas realizadas no País é criticada por empresários e turistas. Isso porque os Mundiais anteriores foram realizados em um número menor de locais, algumas vezes em países com menor extensão geográfica e com maior infraestrutura no setor de transportes.

O resultado, tanto pela extensão do País como pela dependência do transporte aéreo para o deslocamento, são preços variáveis, que serão pagos pelo turista em maior ou menor grau, conforme o sorteio das partidas.

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