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Cenário econômico se mantém instável e, ainda que o Banco Central preveja mais alta, diminuir a exposição ao risco é a melhor forma de economizar para as férias de dezembro

Faça as contas na ponta do lápis: às vezes o dólar um ou dois centavos mais barato não compensa.
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Faça as contas na ponta do lápis: às vezes o dólar um ou dois centavos mais barato não compensa.

O dólar está subindo, mas a vontade de viajar dos brasileiros continua firme – e bem forte. O Banco Central anunciou nesta manhã (23) um aumento de nada menos que 14,5% no gasto com viagens internacionais no último mês em comparação com o mesmo período de 2012. Os brasileiros deixaram o volume recorde de US$ 1,5 bilhão em territórios internacionais apenas em viagens – desconsiderando investimentos e remessa de lucros ao exterior.

Para quem gosta de ir para fora do País, no entanto, o preço do dólar tem sido uma surpresa nada agradável. Depois do dólar comercial fechar janeiro a R$ 1,99, em junho, a moeda encerrou o mês cotada a R$ 2,23. A variação em centavos pode parecer pouca, mas a evolução no preço da moeda americana representa, na prática, um passeio 12% mais caro.

No último Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (22), as perspectivas do mercado para o dólar comercial em dezembro deste ano foram novamente revisadas para cima – de R$ 2,20 para R$ 2,24.

Em janeiro, as expectativas do mercado apontavam para uma cotação de R$ 2,07 no final do ano – já superada antes do encerramento do semestre. Na prática, quem se antecipou para as férias de julho, levou a melhor.

Olhar para trás é fácil, só que o mercado nem sempre é tão previsível. O economista da Fundação Getulio Vargas, Samy Dana, explica que embora haja sim uma tendência de alta para a moeda americana, a visão apresentada pelos últimos boletins está “míope”, dada a delicadeza do atual momento político e econômico.

As constantes revisões para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, as perdas recentes do Ibovespa, a frustração com o benefício econômico da Copa das Confederações e até mesmo as manifestações políticas criam um cenário de incertezas bastante peculiar. “Eu não diria que essa perspectiva de alta para o dólar é suficientemente sólida. O momento é de incerteza dentro de fora do Brasil”, diz. “A Europa vai mal e a fuga para a moeda mais sólida é cômoda e usual, o que tende a provocar a alta no dólar.”

Comprar aos poucos diminui o risco

Na dúvida, a sugestão de Dana é fazer o possível para mitigar o risco. “O viajante não é um especulador de dólar, então ele deve buscar o preço médio para evitar surpresas”, diz.

A sugestão do economista e de Valter Police, planejador certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) é parcelar a aquisição da moeda. Se a viagem é em dezembro, por exemplo, a melhor estratégia é dividir o montante que você precisará ao longo dos próximos cinco meses. “Ninguém sabe exatamente para onde o dólar vai. A melhor saída é admitir que não temos como prever isso e ir comprando aos poucos, para reduzir os extremos”, diz Police.

Veja também: Dólar pode chegar a R$ 2,40 até o fim do ano, avalia Merrill Lynch

Pesquisar a melhor cotação é importante – fique atento à relação entre às taxas pré-estabelecidas e a cobrança proporcional. Se o valor for baixo, a taxa fixa cobrada por boa parte dos bancos pode sair mais cara que os 0,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado pelas corretoras – ainda que vendam o dólar a preço um pouco mais alto. Não fuja das contas.

Police destaca também que a dificuldade do acesso a esse dinheiro deve ser considerada. “De nada adianta você encontrar o dólar um ou dois centavos mais barato onde você vá gastar R$ 20 ou R$ 30 só para se deslocar.”, diz.

De fato, muitas vezes a diferença não compensa. Por exemplo, se o turista for adquirir US$ 1 mil a R$ 2,24, a diferença de R$ 10 gerada por uma cotação um centavo mais barata não paga sequer o estacionamento do shopping.