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Ganho ainda perderia para o Certificado de Depósito Bancário (CDB) e títulos públicos

A possível elevação da taxa básica de juros (Selic) nesta quarta-feira (10) não deve afastar os investidores das cadernetas de poupança, que no mês passado destinaram volume recorde de mais de R$ 9 bilhões à modalidade, mesmo considerando que o rendimento deve ser menor que as demais aplicações de renda fixa.

Decisão sobre a nova taxa básica de juros será divulgada amanhã
Thinkstock/Getty Images
Decisão sobre a nova taxa básica de juros será divulgada amanhã

De acordo com levantamento feito pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana, caso o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve a Selic em 0,5 ponto percentual, o ganho obtido pela poupança ainda perderia para o Certificado de Depósito Bancário (CDB) e para o título público (LFT). Só ganha dos fundos de investimento de renda fixa.

Leia também: Poupança tem melhor junho e semestre da série histórica

Em um cenário de instabilidade econômica, os aplicadores retraem o consumo e poupam mais. Este é um dos motivos de a poupança ter batido recorde histórico de captação líquida em junho e no primeiro semestre.

“Não é a rentabilidade que atrai recursos à poupança e sim a segurança que o instrumento transmite, principalmente em momentos de incerteza como o que estamos vivendo. Está praticamente no DNA do brasileiro essa modalidade. Todos conhecem e confiam”, afirma Mario Amigo, professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisa Contábeis Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e da Saint Paul Escola de Negócios.

Mauro Calil, professor e educador financeiro também lembra que muitas famílias conseguiram, recentemente, se desfazer de dívidas elevadas contraídas há três anos, principalmente com a aquisição de eletrodomésticos, motos e carros. “Muitos brasileiros aprenderam, na dor, a importância de poupar. Por isso, qualquer sobra orçamentária é enviada à poupança”, pondera.

O levantamento realizado pelo professor Samy Dana mostra que o ganho obtido com CDBs, poupança e fundos de investimentos de renda fixa será bastante similar, caso a Selic seja elevada a 8,5% ao ano — 5,92%, 5,88% e 5,39% ao ano, respectivamente. Isso considerando que o aplicador investirá R$ 10 mil em um prazo de 12 meses.

“O ganho apresentado pela renda fixa não é o melhor. Mas perto da rentabilidade da bolsa de valores, por exemplo, já é possível manter o poder de compra”, diz.

Tendo em vista esse cenário, Calil não recomenda a migração do portfólio alocado em poupança para demais modalidades de renda fixa. "Não vale a pena a mudança de pequenos valores.

Já para investidores que dispõem de mais de R$ 10 mil para aplicar, e têm um horizonte maior de resgate, as sugestões são títulos públicos, principalmente os pós-fixados atrelados à Selic, CDBs, Letras de Crédito do Agronegócio e de Crédito Imobiliário.

"As duas últimas são oferecidas por bancos de pequeno e médio porte e corretoras de valores. Por isso vale a pesquisa”, sugere o especialista. “Tudo vai depender do valor a ser investido, do horizonte de resgate e do objetivo a ser alcançado”, completa.

O professor e educador financeiro dá uma dica. “Quanto maior o prazo de investimento, menor será o esforço, bem como o risco, uma vez que será diluído ao longo do tempo”.

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