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O melhor a fazer é usar a lógica e não o impulso: primeiro quitar dívidas, depois poupar, por último comprar

Vanessa Correia

Nem gastar tudo, nem economizar tudo. O tão esperado bônus de final de ano, seja ele 13º salário e/ou gratificação pelo cumprimento de metas, deve ser usado com sabedoria, sugerem especialistas. E é isto o que Wagner Teixeira, diretor geral e sócio da Höft Bernhoeft & Teixeira, consultoria especializada em transição de gerações, aprendeu e faz anualmente.

Desde que recebeu sua primeira bonificação, há mais de 20 anos, o executivo destina parte dos recursos para desfrute próprio e parte para investimentos. “Destino entre 70% e 80% para aplicações financeiras e o restante para gastos pessoais ou para aquisição de bens duráveis”, explica.

Antes de optar por gastar ou investir, o ideal é quitar dívidas altas, como o financiamento de imóveis. “Não há aplicação que entregue retorno superior ao juro cobrado em qualquer financiamento. Fuja de recompensas próprias, tais como ‘Eu mereço. Trabalhei o ano inteiro e vou gastar o bônus’, caso tenha esse tipo de dívida”, ensina Mauro Calil, professor e educador financeiro.

Depois, é bom pensar nas despesas extras de início de ano - Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), matrícula a material escolar. “Faça uma reserva ao longo do ano para quitar essas faturas. Mas, se por alguma razão isso não pode ser feito, vale reservar ma parte do bônus para esse fim”, completa.

Feito isso, se sobrar recursos é hora de equacionar sua utilização. Calil sugere poupar entre 50% e 80% do bônus ganho, já que normalmente é uma quantia extra, não necessária. “Se não contava, não gaste integralmente. Um dos grandes erros de executivos que ganham muito é não pensar no amanhã.”

Já André Massaro, instrutor financeiro do Money Fit, prefere não cravar um percentual “ideal” para poupar; para ele, isso depende de cada indivíduo e o importante é a disciplina de investimento. “Todos devem ter uma meta mensal ou anual. Cumprido isso, é permitido gastar sem culpa”, pondera.

Apesar do perfil poupador, Teixeira já aproveitou bem os recursos que recebeu no final do ano. “Certo ano fiz uma viagem à Itália com minha mulher de carro. Valeu a pena ter me esforçado o ano inteiro”, diz o sócio da consultoria especializada em transição de gerações.

Como também exerce um cargo executivo na Höft Bernhoeft & Teixeira, recebe bonificação semestral, de acordo com um percentual do salário mensal, assim como os demais funcionários da empresa.

Para os que optaram em poupar a maior parte dos recursos, a dúvida que fica é: qual a melhor opção? Calil sugere que o interessado responda três perguntas. A primeira diz respeito ao montante a ser aplicado. A segunda refere-se ao prazo do investimento e a terceira trata do objetivo. “Suponhamos que dois executivos tenham recebido R$ 20 mil e tem o horizonte de resgate de dois anos. Porém um vai utilizar os recursos para pagar parte da festa de casamento da filha e o outro quer trocar de carro. O primeiro executivo terá que ser mais conservador.” Ou seja, quanto maior o horizonte de resgate, maior é o risco que o investidor pode correr. Em contrapartida, quanto maior a necessidade de resgatar a aplicação no curto prazo, mais conservador o investidor terá que ser, de forma a preservar o patrimônio.

O instrutor financeiro do MoneyFit chama a atenção para a renda fixa, mais especificamente títulos públicos. “Por mais que a rentabilidade tenha caído ao longo dos últimos anos, o momento ainda é de priorizar a renda fixa. As taxas de juros são extremamente altas para os padrões internacionais e nenhuma aplicação é tão segura quanto os títulos públicos”, ressalta.

Caso o investidor queira “temperar” o portfólio de investimentos, ele sugere fundos imobiliários. “Esses ativos são classificados como renda variável, mas são mais conservadores se comparados às apostas em ações de empresas listadas na BM&FBovespa”, diz.

Ao contrário de muitos especialistas, Massaro entende que está na hora de aprender, mas não de se aventurar no mercado acionário.

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