Tamanho do texto

Dono de um grupo com 70 empresas em diferentes setores, executivo diz que não tem ambição de ser o maior, não tem “amor de mula” pelas companhias e prefere diversificar a colocar os ovos na mesma cesta

Joel Malucelli ficará à frente do grupo que montou em 1966 até dezembro deste ano, quando passará o bastão ao filho Alexandre Malucelli — hoje presidente da seguradora do grupo. Mas quem pensa que ele irá parar por aí está enganado. O empresário se lançará em um novo desafio: a abertura de um aeroporto próximo a Curitiba, no Paraná. Este será mais um empreendimento na carteira do executivo que, pode-se dizer sem exageros, é um viciado em arriscar. “Não sossego enquanto não faço negócios. Às vezes não entro para ganhar, apenas pelo prazer de fazê-lo”, afirmou em entrevista exclusiva ao BRASIL ECONÔMICO. Não à toa, formou um grupo com 70 companhias e prefere diversificar a “colocar todos os ovos em uma cesta só”. Na lista, estão uma construtora, uma seguradora, hotéis, veículos de comunicação e até mesmo um time de futebol, o Corinthians Paranaense. Confira a seguir suas dicas:

Como o senhor escolhe os negócios para investir?

São dois fatores: oportunidade e momento econômico. Em termos de oportunidade, só errei no consórcio de carros, que entrei muito tarde quando teve um boom do setor, mais ou menos 15 anos atrás.

E como se proteger quando o momento econômico não ajuda?

Não posso dizer que tudo na minha vida foi maravilha. Já cheguei a ter dificuldades, mas sempre com muita calma consegui sair de momentos difíceis que o Brasil viveu. Diria que sempre é preciso ter um uma reserva técnica para enfrentar o momento ruim. As empresas do grupo são muito capitalizadas, seguras e tranquilas, estão prontas para qualquer tipo de crise.

Quais foram esses momentos ruins a que o senhor se refere?

Quando a inflação era 84% em um mês só, ou perto disso. Quando comecei com a construtora não quis que ela crescesse muito justamente pela instabilidade que o Brasil vivia. Sempre o nosso perfil é de não ser o maior, mas ser o mais líquido, financeiramente mais sólido. Por isso que eu poderia hoje ser um dos maiores construtores do Brasil, mas prefiro diversificar a colocar todos os ovos em uma cesta só.

Quais os setores que considera promissores hoje no Brasil?

Diria que é o de energia e, dentro dele, eólica e solar, que estão prontas para serem desenvolvidas e estamos acreditando muito. Já temos negócios no setor e nossa empresa até o final do ano vai estar em 12 projetos em geração em energia hidráulica, eólica e termelétrica.

Quais setores acredita que estão na moda?

O de energia, por exemplo, que até o ano passado era bom para investir, mas agora está saturado. No setor de obras públicas dá para acreditar e investir que muitas coisas virão. A construtora do grupo, a segunda maior do Paraná, está muito entusiasmada com as obras que virão. Nossa infraestrutura ainda é muito precária. Temos de desenvolver muito essa área no Brasil.

O senhor já foi levado a se desfazer de algum negócio?

Não obrigatoriamente, já que só me desfaço quando não é um bom negócio. Não tenho amor de ‘mula’ por nenhum deles. Temos um exemplo na nossa seguradora, que sempre foi bem, mas apareceu oportunidade de vender 85% para um fundo americano e vendemos, porque o momento era propício e o preço muito bom. Depois de cinco anos nós recompramos.

Como controlar um grupo com 70 empresas?

Eu tenho pessoas-chave em lugares-chave que me dão comodidade. Delego muito e só cobro resultados. Vou me aprofundar na empresa que eventualmente não esteja dando lucro. Tenho reuniões semanais nas empresas mais importantes e mensais nas menos importantes. Nelas, eu opino e sinto como vão. O fato de ter sede no Paraná é importante porque eu fico mais perto.

Qual o segredo para o grupo viver tanto tempo?

Ter uma sucessão tranquila e bem-feita. Estamos com 80% da sucessão consagrada e até o final do ano complementamos o processo. O Alexandre (o filho) estava mais envolvido com a seguradora, que ele praticamente criou. Mas ele teve de começar a ver e entender as outras áreas do grupo, e começamos isso há mais de dois anos com muita cautela. Hoje sei que ele está preparado.

Por que decidiu sair do comando do grupo?

Porque os filhos já estão com idade para assumir. Então, se eu não der oportunidade agora no auge, quando eu daria? Eu me sinto bem, mas acho que eles tocarão com mais entusiasmo. Já estou há quase dois anos em um escritório particular, e constituímos um conselho de família, no qual nos reunimos a cada mês.

Quais são seus planos?

Vou cuidar das minhas ações, dos meus imóveis e bolar outros negócios. Estou trabalhando para construir um aeroporto comercial no Paraná, para grandes aviões, que seja comercial e executivo. Já temos a área, a 45 quilômetros de Curitiba, mas ainda há uma pendência em relação ao terreno. O aeroporto será entre Curitiba e Ponta Grossa e vai servir a muitas montadoras. Hoje, o aeroporto da capital é muito restrito a aviões cargueiros. Após fechar a área, vou pedir autorização para a Infraero. E por enquanto não estou buscando parceiros.

Por que escolheu esse negócio?

Os preços com que foram concedidos os aeroportos vão fazer as taxas subirem muito. E acho que esse aeroporto vai ser uma alternativa ao de Curitiba porque o da capital é muito mal localizado, tem muita neblina e o meu não. O acesso é pista dupla. Vai ser alternativa às companhias aéreas quando vierem a Copa. Nessa primeira etapa, até a pista e tudo mais vai ser algo de R$ 70 milhões.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico