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Cálculos do Banco Mundial, que apoia projeto de educação financeira em escolas no Brasil, mostram que a economia tende a crescer se a população tiver mentalidade de poupança

Livros de ensino médio de projeto realizado no Brasil trazem 72 situações didáticas envolvendo finanças pessoais
Divulgação
Livros de ensino médio de projeto realizado no Brasil trazem 72 situações didáticas envolvendo finanças pessoais

Enquanto o governo brasileiro vem tomando medidas para tentar estimular o consumo, com o objetivo de aquecer a economia, um cálculo do Banco Mundial (Bird) mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode crescer se a população poupar mais. A cada 1% que os brasileiros pouparem a mais, o impacto no crescimento da economia do País pode ser de 0,25 ponto percentual, diz Arianna Legovini, diretora do programa de Avaliação do Impacto sobre o Desenvolvimento (DIME), do Bird.

“Se a população poupasse mais 1%, o impacto poderia ser de R$ 7,5 bilhões no PIB,” afirmou Arianna, que participa de um evento da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que acontece na sede da BM&FBovespa, em São Paulo. Segundo ela, o número não é exato, mas apenas uma estimativa, para dar sentido do que significaria um pequeno aumento da poupança. A conta também considera que os recursos poupados seriam transformados em investimentos.

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Educação financeira pode evitar consumo exagerado

Para Boris Utria, vice-diretor do Banco Mundial para o Brasil, o cálculo mostra o quanto um projeto de educação financeira que estimule as pessoas a poupar pode ter um efeito positivo na economia. “Imaginem se todos os brasileiros tivessem uma mentalidade de poupança, o crescimento da economia poderia ser maior ainda,” afirmou.

Atualmente, apenas 21% da população brasileira têm o hábito de poupar, segundo Marialisa Motta, diretora de desenvolvimento do setor privado e financeiro do Banco Mundial para América Latina e Caribe.

Os executivos do Banco Mundial participam de um workshop sobre os resultados de um projeto piloto de educação financeira executado em cerca de 900 escolas públicas brasileiras entre agosto de 2010 e dezembro de 2011, com 26 mil estudantes do ensino médio. Veja: Governo lança programa piloto de educação financeira nas escolas públicas

O projeto foi uma iniciativa de entidades públicas e privadas brasileiras, entre elas a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a BM&FBovespa, e teve o apoio do Bird, que avaliou a eficiência de todo o trabalho. 

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Investimento de apenas R$ 10 milhões

Com um custo estimado em R$ 3 milhões, segundo a BM&FBovespa, o projeto realizado com alunos de ensino médio incluiu temas de educação financeira no currículo escolar dos jovens, que passaram a lidar com 72 situações que envolviam suas finanças pessoais nas aulas de matemática, português, ciência, geografia, história e outras.

O resultado obtido mostrou uma melhora no conhecimento dos estudantes sobre a educação financeira e melhorou as atitudes e o comportamento deles com relação às finanças pessoais. Após o projeto, eles ficaram mais propensos a administrar suas despesas, conversar com os pais sobre questões financeiras e ajudar na organização do orçamento familiar, segundo a Associação Brasileira de Educação Financeira, que foi criada no ano passado para centralizar os esforços do projeto.

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A partir de agora, a associação vai desenvolver um projeto para a continuidade do trabalho nas escolas brasileiras, segundo Fabio Moraes, gerente de educação financeira da BM&FBovespa. A ideia é dar início a outros dois projetos, um para alunos de ensino médio e outro para adultos. “Vamos definir quais as ações que serão feitas nos próximos anos e também iniciativas para outros públicos,” afirmou. Segundo ele, o número de estudantes de ensino fundamental chega a 35 milhões, enquanto os adultos são um universo de 100 milhões de pessoas. “Se tudo der certo, teremos três frentes de trabalho,” disse.

Quando os projetos estiverem estruturados, a associação buscará financiamento com o próprio Banco Mundial – que já se mostrou interessado em apoiar – e com entidades públicas e privadas. A estimativa de Moraes é de que os dois novos projetos exijam investimentos de cerca de R$ 3 milhões cada um. “Estamos fazendo uma estimativa de algo em torno de R$ 10 milhões para os três,” afirmou. Segundo Boris Utria, o Bird já investiu US$ 12 bilhões em projetos de educação financeira atualmente em execução em todo o mundo.

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