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Para jovens que participaram, a nota média de conhecimento financeiro subiu de 50 em agosto de 2010 para 62 em dezembro do ano passado; entre os jovens que não participaram do projeto, nota subiu de 50 para 59, no mesmo período

Alunos que participaram de um programa de educação financeira lidaram melhor com o uso do dinheiro para compras ou poupança do que estudantes que não tiveram acesso à iniciativa.

O Banco Mundial (Bird) apurou esse resultado positivo ao avaliar a eficácia de um projeto-piloto de educação financeira implementado pelo governo federal entre agosto de 2010 e dezembro de 2011, que abrangeu 26 mil alunos de 900 escolas públicas do ensino médio em seis Estados.

"O programa propiciou um aumento do conhecimento e autonomia financeira dos jovens, elevação da poupança e avanço na participação na elaboração do orçamento familiar", afirmou Arianna Legovini, diretora do programa de avaliação de impacto do Bird.

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O projeto tem o apoio de instituições privadas do mercado financeiro, como a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a BM&F Bovespa, entre outras.

Segundo Arianna, o projeto ganha relevância porque 51% dos alunos participantes têm renda, originada do trabalho ou de recursos repassados pelos pais. Quase um terço dos jovens (32%) são beneficiários do Programa Bolsa-Família e perto de 37% trabalham.

Entre os responsáveis pelos estudantes, 89% informaram que têm alguma forma de financiamento bancário. Tomaram crédito para adquirir imóveis ou carros, compraram mercadorias a prazo ou tiveram acesso a dinheiro emprestado por terceiros.

De acordo com a avaliação do Banco Mundial, os alunos participantes do projeto-piloto registraram resultados melhores em várias categorias avaliadas do que os jovens que não fizeram parte da iniciativa. Para os alunos que participaram, a nota média de conhecimento financeiro subiu de 50 em agosto de 2010 para 62 em dezembro do ano passado. Entre os jovens que não participaram, a elevação foi inferior, subindo de 50 para 59, no mesmo período.

As notas oscilavam entre zero e 100. Os alunos envolvidos no projeto registraram uma intenção maior de poupar do que os que não participaram. Segundo a avaliação do Bird, a média desse indicador subiu de 48 pontos para 53 pontos no período para os estudantes que estiveram no programa, enquanto passou de 48 para 51 pontos entre os jovens que não estiveram envolvidos com o projeto.

Formulação de orçamento

No caso dos estudantes que poupam parte de sua renda, os alunos que participaram do programa experimental do governo federal mostraram disposição maior para economizar, com o indicador subindo de 58% para 59% de agosto de 2010 para dezembro de 2011. Esse resultado é melhor do que o apurado junto aos jovens que não atuaram no projeto que apresentaram uma queda na disposição de poupar, de 57% para 55% no mesmo período.

Essa mesma tendência foi percebida no momento em que o jovem negocia o preço de suas compras e qual meio de pagamento que utiliza (compras à vista, cheques, crédito). Quem estava envolvido no programa de educação financeira registrou um avanço de 76% para 77%, enquanto o grupo dos que não participaram da iniciativa apurou uma redução de 76% para 74%. Na avaliação de Arianna, o projeto-piloto também apontou um resultado mais favorável em relação aos alunos que atuaram na formulação do orçamento familiar.

Para os estudantes do programa, a participação subiu de 44% para 56% de agosto de 2010 para dezembro de 2011, enquanto a elevação foi de 44% para 52% para o grupo que não tinha vinculação com o projeto-piloto. "Os resultados do programa foram muito interessantes e dão a possibilidade de pensar três novas frentes de pesquisas", comentou Arianna.

"Uma delas é um programa nacional de educação financeira no Brasil. Outra seria incorporar novos grupos demográficos no projeto. Além disso, ele pode ser uma nova oportunidade para aprimorar o setor educativo no País. O programa lida com conceitos concretos da vida de seus participantes, o que pode torná-los mais atuantes nas escolas onde estudam", apontou.

O programa de educação financeira para adolescentes contemplou escolas do Estado de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Ceará, do Tocantins e do Distrito Federal. A educação financeira foi tratada em diversas disciplinas escolares, como português, matemática, história, ciências e geografia.

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