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“Jurômetro” criado pela entidade calcula que o Governo Federal já pagou R$ 216 bilhões em juros da dívida pública em 2011

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou nesta terça-feira, na capital paulista, o Jurômetro, uma ferramenta on-line que busca facilitar o entendimento da população sobre o custo pago pelo Governo Federal, com base na taxa de juros Selic, e a influência disso na economia real e na vida das pessoas comuns.

Pelos números do "Jurômetro", o governo brasileiro pagou este ano o equivalente a R$ 216,8 bilhões em juros da dívida pública, que é a remuneração paga pelo Governo Federal pelo dinheiro que pega emprestado para financiar gastos com a máquina pública e realizar investimentos. Se esse volume de recursos fosse aplicado na área de educação, por exemplo, o valor seria suficiente para construir 234,5 mil escolas de ensino fundamental.

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No caso do setor de habitação, esses recursos seriam suficientes para construir 64,22 milhões de ligações de esgoto, considerando o Plano Plurianual 2012-2015 do Ministério das Cidades. O dinheiro também serviria para construir 332 novos aeroportos com o padrão do Aeroporto de Natal (RN). Em termos de renda, essa verba seria suficiente para pagar 895,96 milhões de benefícios do programa Bolsa-Família.

O "Jurômetro" pode ser acessado pela internet no endereço www.jurometro.com.br. De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a intenção é, em breve, instalar um placar em frente à sede da instituição, na capital paulista, e outro próximo à sede do Banco Central, em Brasília.

“Quando o Banco Central toma a decisão sobre a taxa de juros, muitos brasileiros não sabem se isso é bom ou ruim”, disse Skaf. “Agora será possível saber de forma mais clara o impacto das decisões para as pessoas”, acrescentou.

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A ferramenta utiliza dados oficiais do Banco Central (BC) em um modelo estatístico que considera a taxa básica de juros (Selic), hoje em 11,5% ao ano, e o número de dias úteis para calcular o impacto do custo do endividamento do País com base em exemplos mais palpáveis para a sociedade.

Segundo Skaf, o nível aceitável para a taxa de juros básica da economia no País seria de cerca de 6%, para que ficasse próxima da média mundial. “Se for de 6,5% ou 7%, tudo bem. Mas 11% ou 12% está errado”, disse. “Não podemos ter um patamar tão diferente há tanto tempo. O Brasil não é um cassino. Quem trabalha, produz, gera emprego e tecnologia não pode ser penalizado”, afirmou o presidente da Fiesp. 

O Banco Central inicia nesta terça-feira a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2011, que vai definir o novo patamar da taxa Selic. O consenso do mercado financeiro aponta para uma nova redução de 0,5 ponto percentual, no fim da reunião, nesta quarta-feira. Caso essa projeção se verifique, a Selic encerraria o ano em 11%.

O BC, após sucessivas elevações de juros no primeiro semestre para tentar controlar o avanço da inflação, surpreendeu o mercado financeiro e, em agosto, deu início a uma nova fase, de redução da taxa básica. A piora o cenário internacional, com a crise na Europa, e a inflação dando sinais de recuo embasaram a decisão da autoridade monetária.