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No IGP-10 de outubro, os alimentos foram os vilões, com destaque para o feijão

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) subiu 1,15% em outubro, após alta de 1,12% em setembro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda-feira, acrescentando prever leituras abaixo de 1% a partir de novembro.

Analistas ouvidos pela Reuters previam uma alta de 1%, segundo a mediana de 10 respostas que ficaram entre 0,92% e 1,18%.

"Uma desaceleração a partir de novembro já seria razoável de pensar", disse a jornalistas o economista da FGV Salomão Quadros. "Um por cento é uma taxa alta e não é normal. É uma taxa pressionada."

No IGP-10 de outubro, os alimentos foram os vilões com destaque para o feijão, que subiu 43,03% ante queda de 7,71% por cento em setembro. O produto sozinho contribuiu com 0,38 ponto percentual da aceleração no atacado, que foi de 0,28 ponto percentual.

"Houve uma perda na terceira safra de feijão na Bahia e o Brasil começou a importar da China", explicou Quadros. "Apesar da violência da alta do feijão e dos alimentos, ela está muito concentrada. Toda vez que a aceleração é muito forte a descida costuma ser rápida."

A FGV acrescentou que o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou 1,51% nesta leitura, ante 1,63% na anterior.

O IPA agrícola saltou 5,54%, contra alta anterior de 3,55%.

As maiores altas de preços no atacado foram de milho em grão, feijão em grão, bovinos, aves e soja em grão.

Itens com forte peso no IPA, como trigo e soja, já começaram a ceder no atacado, o que pode contribuir para a futura desaceleração dos IGPs. "Alguns agropecuários já atingiram seu pico e começam a declinar. São produtos que também ajustam seus preços com rapidez. Isso vale também para as carnes", afirmou Quadros.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,55% em outubro, contra 0,11% em setembro.

Os preços do grupo Alimentação avançaram 1,07%, depois de caírem 0,05%. Os de Vestuário aceleraram a alta para 1,14% nesta leitura, contra 0,10% na anterior.

"O efeito da alimentação é o principal (fator de pressão), mas está ficando menor. A alimentação chegou a responder por 90% do IPC e agora responde pro cerca de 70%", disse Quadros.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve elevação de 0,20% em outubro, frente a 0,13% em setembro.

No ano e nos últimos 12 meses, o IGP-10 acumulou alta de 8,51%.

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