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Itens como empregado doméstico, salão de beleza e refeição fora de casa devem continuar a subir na virada do semestre

O grupo serviços teve importante desaceleração entre junho e julho no Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), ao passar de 0,79% para 0,12%. O recuo, no entanto, foi puxado principalmente por queda de 13,1% nas passagens aéreas, movimento sazonal após o fim das férias, explica o coordenador do indicador, Paulo Picchetti.

Por outro lado, os itens mais demandados com o aumento da renda, como empregado doméstico, salão de beleza, refeição fora de casa, dentre outros, devem continuar a subir na virada do semestre, com a concentração de reajustes salariais de importantes categorias.

"Pelo menos do lado do mercado de trabalho, temos um quadro muito claro de aquecimento. Nos próximos meses o quadro será bem diferente da trégua que tivemos na taxa mensal de julho", prevê Picchetti.

O grupo serviços está em patamar superior a 16% em 12 meses desde o início do ano, destaca o economista da FGV, mesmo com o pequeno recuo de 16,9% para 16,7% entre junho e julho. O IPC-S tem alta de 6,58% nos 12 meses encerrados em julho. "Os itens que nos preocupavam com relação à trajetória da inflação continuam preocupando. Não há nenhuma mudança desde a última divulgação para a atual", afirma o economista. Os preços administrados "são outro problema", na opinião de Picchetti.

O grupo está há três meses acima de 14% na variação em 12 meses, sem perspectiva favorável na virada do semestre por conta dos reajustes de tarifas públicas que sempre ocorrem nessa época do ano. O IGP-M, índice que corrige grande parte dos contratos, acumula alta de 8,36% em 12 meses, o que, para o coordenador do IPC-S, é um patamar elevado. "Há vários reajustes ligados a ele que serão um fator de pressão nos próximos meses", diz.

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