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Uma forte desaceleração na inflação do atacado (de 1,34% para 0,51%) levou à taxa menor do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-100 de abril, em relação a março (de 1,10% para 0,63%), segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros. No IGP-10 deste mês, houve exemplos de deflação e de menor alta de preços tanto no setor industrial quanto no agrícola.

Uma forte desaceleração na inflação do atacado (de 1,34% para 0,51%) levou à taxa menor do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-100 de abril, em relação a março (de 1,10% para 0,63%), segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros. No IGP-10 deste mês, houve exemplos de deflação e de menor alta de preços tanto no setor industrial quanto no agrícola. "Tivemos desacelerações e quedas de preço bem espalhadas no setor atacadista", afirmou.

Entre os exemplos de menor pressão na inflação que podem ser encontrados no setor agrícola, estão a deflação registrada nos preços de ovos (de 18,04% para -1,15%); e os alimentos in natura apresentando desaceleração de preços (de 12,60% para 10,21%). Neste último segmento, um dos destaques foi o tomate, cuja taxa de elevação caiu para menos da metade (de 67,83% para 19,46%). No mês passado, os preços dos in natura subiram muito de preço, devido à menor oferta no mercado interno - prejudicada pelos problemas climáticos, como as fortes chuvas, ocorridos no período. Agora, a oferta começa a se regularizar no mercado doméstico, e leva a quedas de preços.

Embora tenha registrado acréscimo em sua taxa de variação de preços, a soja em grão permaneceu com taxa negativa no atacado, o que também ajudou a derrubar a taxa do IGP-10. A queda de preço do produto diminuiu de ritmo, de -7,62% para -6,02%. "A soja tem um peso muito grande na formação da inflação do atacado, e o fato de ela continuar com preço negativo já ajuda a conter o avanço do indicador", afirmou.

O comportamento favorável dos preços dos alimentos atualmente também se refletiu no setor industrial, que apurou recuo no aumento de preços dos alimentos processados (de 1,18% para 0,27%). Este segmento teve forte influência das quedas de preços registradas em açúcar cristal (de 1,97% para -7,11%); em açúcar refinado (de 3,68% para -2,53%); e sucos concentrados de laranja (de 7,50% para -1,08%).

O açúcar sofreu aumentos sucessivos de preços nos últimos meses devido a problemas na oferta no mercado doméstico. Mas a oferta começa se normalizar no mercado interno, o que provoca movimentos de deflação. Já no caso de suco de laranja, houve rumores de uma suposta quebra de safra na Flórida (Estados Unidos), o que elevou os preços de itens relacionados à laranja em um primeiro momento, mas que não foram totalmente confirmados.

Fora do setor de alimentação, os preços industriais também foram derrubados por quedas importantes nos preços de combustíveis, como álcool hidratado (de -0,33% para -14,41%); e querosene de aviação (de +3,95% para -0,01%). Ainda beneficiado por reduções efetuadas devido ao recuo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), também houve deflação nos preços de automóveis para passageiros (de para 0,03% para -0,02%).

Construção civil

A inflação na construção civil, medida pelo Índice Nacional de Custos da Construção - 10 (INCC-10), atingiu em abril o mais elevado nível em 10 meses, com alta de 1,01%. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, o setor está sendo pressionado por aumentos nos preços de insumos e de mão de obra. Entre os materiais cujos preços estão subindo, os destaques ficaram com preços em concreto (de 0,55% para 1,62%); argamassa (de -0,25% para 0,64%); tijolo (de 0,93% para 1,19%) de março para abril.

Quadros lembrou que, nos últimos meses, os preços de materiais e equipamentos têm registrado altas sucessivas. Outro destaque foi a inflação mais intensa nos preços de serviços na construção (de 0,58% para 0,61%), influenciada por aceleração de preços em aluguel de máquinas e equipamentos (de 0,30% para 0,63%). Os movimentos estão relacionados à retomada gradual no nível de atividade da construção, no cenário pós-crise. "Sabemos que as condições macroeconômicas estão favorecendo as construções residenciais; as pessoas estão comprando mais imóveis, e têm mais dinheiro para comprar casas", observou.

No caso de mão de obra, o especialista comentou que, além de aumentos nos salários dos trabalhadores de Salvador e Rio de Janeiro, já previstos para esta época do ano, ocorreu uma espécie de "antecipação" nos reajustes de preços de mão de obra em Porto Alegre. "Este tipo de antecipação não é realmente muito comum", comentou Quadros. "Isso representa mais um sinal de aquecimento no setor da construção", afirmou.

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