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Segundo a fundação, a queda foi influenciada por setores que atuam de forma temporária na composição do indicador

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O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, disse hoje que a deflação do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrada no mês de junho, de 0,18%, foi pontual, influenciada por setores que atuam de forma temporária na composição do indicador. De acordo com ele, embora os preços dos alimentos in natura, das commodities agrícolas e do álcool tenham registrado redução em junho, os serviços continuam a subir. "Os serviços continuam com comportamento exatamente igual", disse o coordenador do IGP-M.

Em junho, os serviços registraram alta de 0,44%, ante 0,66% em maio. Em 12 meses, porém, continuam a registrar aceleração. No acumulado de 12 meses até junho, os serviços registram alta de 6,34%. Até maio, a alta era de 6,27% e, até dezembro, de 5,28%. "A inflação de serviços continua a existir, embora esteja encoberta pela deflação do IGP-M como um todo. A questão da inflação de serviços não está adormecida, continua muito acordada", explicou Quadros.

Dentro dos serviços, os segmento de serviços administrados desaceleraram de 0,80%, em maio, para 0,36%, em junho. De acordo com o coordenador do IGP-M, essa desaceleração ocorreu porque houve uma concentração de reajustes de tarifas de água, luz e esgoto em diversas cidades brasileiras no mês passado. Em 12 meses, os administrados acumulam alta de 5,51%, taxa que também vem crescendo e que estava em 5,46% nos 12 meses encerrados em maio e em 4,51% nos 12 meses encerrados em dezembro.

Os outros serviços, por sua vez, registraram desaceleração menor, de 0,54%, em maio, para 0,51%, em junho. Em 12 meses, os outros serviços acumulam alta de 7,06%, ante 6,99% nos 12 meses encerrados em maio e 5,97% nos 12 meses encerrados em dezembro. "Até o momento, não tivemos nenhuma alteração na demanda por serviços e eles devem continuar subindo até o fim do ano", disse o coordenador do índice.

Segundo Quadros, esse comportamento deve ser influenciado pelo salário mínimo, que deve aumentar 7,5%, em termos reais, no início de 2012. "Será uma pressão extra sobre os serviços", afirmou.

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