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Avião em que um dos principais acionistas do Grupo Camargo Corrêa viajava caiu nas proximidades da cidade de São Carlos

Fernando de Arruda Botelho, a bordo de um avião Show Cat próprio para acrobacias, durante uma feira de aviação em Piracicaba, no mês de março
João Carlos Nascimento/ Amigos da Fotografia Piracicaba
Fernando de Arruda Botelho, a bordo de um avião Show Cat próprio para acrobacias, durante uma feira de aviação em Piracicaba, no mês de março
O e acionista do Grupo Camargo Corrêa, Fernando de Arruda Botelho, morreu no início da tarde de sexta-feira, em um acidente aéreo no interior de São Paulo. Ele e o piloto Sérgio Luiz Robattino, da Morro Vermelho Taxi Aéreo, empresa da qual Arruda Botelho também era acionista, foram carbonizados após o avião em que voavam, um T-28 Trojan, cair nas proximidades de um aeródromo criado pelo executivo na década de 80, na cidade de São Carlos. Fernando Arruda Botelho era casado com Rosana Camargo de Arruda Botelho, herdeira do Grupo Camargo Corrêa, e tinha três filhos.

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Fernando de Arruda Botelho era genro do criador da Camargo Corrêa, Sebastião Corrêa, e um dos principais acionistas da empresa
AE
Fernando de Arruda Botelho era genro do criador da Camargo Corrêa, Sebastião Corrêa, e um dos principais acionistas da empresa
Fernando de Arruda Botelho tinha uma extensa e prolífica vida empresarial. Iniciou a carreira na Price Waterhouse, no fim da década de 60, logo após se graduar em economia pela Faculdade São Luiz. Trabalhou em Nova York na divisão brasileira do Bank Trust Co. e, após casar-se com Rosana Camargo, filha do fundador do Grupo Camargo Corrêa, Sebastião Corrêa, assumiu diferentes postos na empresa. Chegou a ser vice-presidente da holding que controla as diferentes companhias do grupo e presidente da divisão de cimento. Atualmente ele não ocupava nenhum cargo executivo na empresa.

Arruda Botelho também integrou a diretoria da Fiesp por vários anos. Seu último cargo foi como diretor do Departamento da Indústruia de Defesa. Em 2010, durante a visita do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, a Israel, ele fez parte da comitiva de empresários que foram até o país do Oriente Médio fomentar novos negócios.

Homem de hábitos refinados, Arruda Botelho tinha duas paixões: a caça e a aviação. Sempre que podia, ia até os alpes austríacos para temporadas de caça. Mas seu grande amor eram os aviões. Fernando de Arruda Corrêa chegou a construir um aeródromo em uma fazenda de sua propriedade, na região de São Carlos. Lá ele organizava importantes eventos de aviação e tinha como principal projeto criar uma réplica perfeita do Demoselle, a melhor aeronave projetada e construída por Santos Dumont.

Foi em um modelo como esse, o T-28 Trojan, que o empresário Fernando de Arruda Botelho caiu no início da tarde de sexta-feira
Divulgação
Foi em um modelo como esse, o T-28 Trojan, que o empresário Fernando de Arruda Botelho caiu no início da tarde de sexta-feira
Arruda Botelho também foi o idealizador e principal organizador da Broa Fly-In, uma das maiores feiras de aviação da América Latina, que ocorria anualmente em seu aerodromo, sempre em junho, mês de seu aniversário. Para esse ano, a 12ª edição da feira, a Broa espera receber mais de seis mil pessoas durante os três dias de evento. Apenas em negócios, a feira movimenta anualmente mais de US$ 100 milhões.

Foi nas proximidades desse aeródromo, que conta com uma pista de 1,5 mil metros e uma área total de 4 mil metros quadrados, que Arruda Botelho faleceu. Ele estava a bordo de um avião antigo, um modelo T-28, utilizado por forças armadas de vários países, inclusive a marinha brasileira, na companhia de um piloto de sua empresa de taxi aéreo. Botelho havia comprado o avião da Marinha americana e trocou as cores originais da aeronave pelo verde e amarelo da FAB. Por volta das 12:30 o avião sofreu uma pane, caiu em um canavial nas proximidades da pista e explodiu.

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