Tamanho do texto

SÃO PAULO - Depois de três dias seguidos de queda, o mercado brasileiro recuperou o otimismo nos negócios desta terça-feira e seguiu a trajetória das bolsas internacionais, embora com uma valorização mais expressiva. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou o pregão em alta de 1,33%, aos 69.942 pontos.

O giro financeiro atingiu R$ 5,182 bilhões.

O foco dos agentes esteve concentrado na reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Conforme esperado, a instituição manteve a taxa básica de juros do país no intervalo de zero a 0,25% ao ano, e deixou claro que a taxa deve permanecer nesse patamar por um período extenso.

Além disso, confirmando a análise de que o país não necessita mais dos estímulos financeiros aplicados no auge da crise econômica, a autoridade monetária confirmou o fim de linhas especiais criadas para dar liquidez ao sistema.

"O comunicado não trouxe nenhuma surpresa, foi quase uma repetição do anterior. Houve alterações muito pequenas, como a referência ao mercado de trabalho, que antes estava se deteriorando e agora se estabilizou. Foram mudanças bem pontuais, sem um sinal de quando o Fed pretende apertar a política monetária", comentou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Para o economista, a elevação dos juros americanos só deverá ocorrer ao fim deste ano ou no início do próximo, com o Fed de olho em melhoras do mercado de trabalho.

Segundo Rosa, contribuíram para a valorização do Ibovespa hoje novas indicações positivas do front externo.

"Os mercados já abriram com um humor melhor, com a ideia de que um aperto monetário na China não será tão drástico, e com sinalizações de que pode haver soluções para o caso grego que podem evitar o default. Além disso, as commodities subiram, o dólar caiu, e todo esse quadro favoreceu o mercado", apontou.

A avaliação sobre a situação grega ficou mais positiva após a agência de classificação de risco Standard & Poors (S & P) ter removido os ratings da Grécia da lista de observação (CreditWatch). A agência não planeja rebaixar a classificação de crédito do país por ora, mesmo diante da crise nas contas públicas gregas.

No cenário corporativo, o aumento dos preços das commodities trouxe ganhos para ações de peso no mercado doméstico, entre as quais a PNA da Vale, que subiu 2,41%, a R$ 47,83, e girou R$ 583,9 milhões.

Os papéis PN da Petrobras, por sua vez, se apreciaram em 1,19%, a R$ 37,21, com volume negociado de R$ 473,6 milhões.

A estatal comunicou a descoberta de nova acumulação de óleo leve em reservatórios localizados na Bacia de Sergipe. O poço em questão é o 3-PRM-12-SES, na área de Piranema, na seção pós-sal. O volume de óleo economicamente recuperável é estimado em 15 milhões de barris.

Ainda no setor petrolífero, o ministro saudita do Petróleo, Ali Naimi, disse hoje que espera que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) mantenha sua produção estável para o resto deste ano.

O comentário reflete a expectativa de que os preços do petróleo e a oferta estejam em sincronia com a recuperação irregular da economia mundial.

Junto com outros ministros do Petróleo da Opep, Naimi já indicou que a Opep deve concordar em conservar suas metas de produção nos níveis atuais quando se reunir nesta quarta-feira.

Também fecharam no campo positivo as ações Itaú Unibanco PN, que avançaram 0,63%, para R$ 37,85; e Gerdau PN, com apreciação de 2,71%, a R$ 27,96.

No sentido contrário, os papéis BM & FBovespa ON tiveram queda de 0,68%, a R$ 11,57. Com o terceiro maior volume negociado no dia, com R$ 362,2 milhões, os papéis ON da OGX Petróleo subiram 1,13%, a R$ 16,99.

Hoje, a MPX Energia, também pertencente ao Grupo EBX, identificou recursos potenciais de 1,74 bilhão de toneladas de carvão mineral na Colômbia depois sondagens realizadas até o mês passado.

"O sucesso obtido até o momento na campanha de exploração, aliado à aquisição de site estratégico para a implantação de um porto próprio, assegura o desenvolvimento de um sistema integrado com capacidade de produção de 20 milhões de toneladas por ano", declarou a empresa em nota. Os papéis ON da MPX subiram 0,79%, a R$ 25,5.

Além disso, depois de dispararem 4,85% no último pregão, os recibos de ações da Laep recuaram 5,78%, a R$ 1,63, tiveram giro de R$ 227 milhões.

O mercado segue reagindo à notícia de que um acordo entre a Monticiano Participações, da GP Dairy, e da Laep Investments, detentora do licenciamento da marca italiana Parmalat, foi assinado na noite de domingo, com o intuito de levar à criação de uma nova empresa de laticínios, para brigar com as grandes companhias do setor.

Entre as maiores altas do Ibovespa, figuraram os papéis PN da Gerdau Metalúrgica, com valorização de 3,8%, a R$ 35,19, as ações ON da mineradora MMX, com ganhos de 3,75%, a R$ 14,1, e as PN da Bradespar, com apreciação de 3,59%, a R$ 42,68.

Na ponta oposta, destaque de baixa para os papéis ON da Souza Cruz, com queda de 1,4%, a R$ 62,5; os ON da LLX, com depreciação de 0,98%, a R$ 40,04; e os ON da CCR, com baixa de 0,89%, a R$ 40,04. Apenas 11 ações que integram o Ibovespa fecharam negativas.

Dado continuidade à temporada de balanço, a PDG Realty registrou lucro líquido de R$ 97,451 milhões no quarto trimestre, aumento de 96% sobre os R$ 49,611 milhões apurados em igual trimestre de 2008. A receita líquida cresceu 72%, para R$ 620,141 milhões.

No acumulado de 2009, o lucro somou R$ 338,132 milhões, com alta de 85% sobre os R$ 182,463 milhões obtidos em 2008. A receita líquida subiu 61%, para R$ 1,983 bilhão.

Os papéis da PDG tiveram ganhos de 2,29%, a R$ 16,50.

(Beatriz Cutait | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.