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SÃO PAULO - Pelo segundo dia seguido, a melhora de humor no mercado externo determina o rumo do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Hoje, foi o Federal Reserve (Fed), banco central americano, que chamou os investidores à ponta compradora ao ampliar suas medidas de estímulo ao crédito.

Revertendo perda superior a 1,6%, o Ibovespa encerrou a quarta-feira com alta de 1,60%, aos 40.142 pontos, patamar de preço não observado desde meados de fevereiro. O giro financeiro foi elevado, somando R$ 4,58 bilhões.

Na avaliação do diretor da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira, já que o Fed não pode mexer mais na taxa de juros, ele " abre o saco de bondades " .

Segundo Bandeira, as medidas anunciadas hoje não trazem grandes novidades. O BC americano, na verdade, reforça os pontos de planos que, em sua visão, estão dando certo.

O destaque fica por conta da compra de US$ 300 bilhões em títulos de longo prazo do governo, o que, segundo Bandeira, libera liquidez para o mercado financeiro.

As outras medidas anunciadas foram o aumento do programa de compra de títulos lastreados em hipotecas em US$ 750 bilhões, assim como a compra de mais de US$ 100 bilhões em dívidas das agências que financiam e geram hipotecas, como Freddie Mac e Fannie Mae.

O Fed também colocou em funcionamento a linha de crédito voltada a estimular a concessão de financiamento para empresas e pequenos negócios.

" Isso não é a redenção da crise, mas um caminho fortemente positivo para que a economia comece uma reação " , afirma Bandeira, lembrando que uma retomada passa, necessariamente, por uma recuperação do crédito e do setor imobiliário dos Estados Unidos.

O diretor também destaca que em comparação com o final de 2008 e janeiro de 2009, o ambiente de negócios está menos negativo. Algo perceptível pela divulgação de alguns indicadores positivos nos Estados Unidos, Europa e na China.

No âmbito corporativo, o destaque seguiu com o setor de papel e celulose, com mais bancos estrangeiros melhorando a recomendação para o setor. VCP PN liderou os ganhos dentro do índice mais uma vez, avançando 7,75%, a R$ 11,12. Aracruz PNB aumentou 6,66%, para R$ 1,60, e Klabin PN teve elevação de 5,81%, a R$ 2,91.

Entre os carros-chefes, Petrobras PN ganhou 1,14%, encerrando ao R$ 28,30. Já o papel PNA da Vale perdeu 0,33%, para 26,96. Entre as siderúrgicas, que operaram em baixa durante a maior parte do pregão, destaque para o papel ON da CSN que subiu 5,17%, para R$ 33,55.

Os bancos também tiveram um pregão positivo. Itaú PN aumentou 3,12%, saindo a R$ 25,41. Banco do Brasil ON valorizou 3,53%, a R$ 15,51, e Bradesco PN teve acréscimo de 1,93%, a R$ 22,63.

Fora da festa, as fabricantes de alimentos Sadia e Perdigão devolveram parte dos ganhos recentes conforme esfriam as notícias de fusão entre as duas companhias. Sadia PN perdeu 3,35%, fechando a R$ 2,88, e Perdigão ON cedeu 3,21%, a R$ 31,65.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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