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Como muitos outros entusiastas do vinho, Paul Wasserman confiava cegamente em Rudy Kurniawan e demorou a acreditar que todo o universo criado por ele era falso

Apenas com a venda de vinhos, Rudy Kurniawa chegou a faturar US$ 35 milhões
New York Times
Apenas com a venda de vinhos, Rudy Kurniawa chegou a faturar US$ 35 milhões
Eles se conheceram em Los Angeles em 2002, quando ambos faziam parte de um grupo que se reunia para degustar vinhos de Borgonha – não as garrafas raras e antigas que foram vendidas em leilões por milhares de dólares, mas os vinhos de safras mais recentes que eram interessantes para estudantes sérios .

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Kurniawan, um jovem de riqueza aparentemente ilimitada, logo começou a comprar e vender as garrafas mais raras ele mesmo, chegando a faturar US$ 35 milhões apenas em 2006. Ele demonstrava profunda curiosidade sobre os vinhos e parecia ser um provador de perspicácia rara.

Paul Wasserman nasceu para os vinhos de Borgonha. Sua mãe é Becky Wasserman, uma americana que trabalha como corretora de vinhos naquela região há 40 anos. Kurniawan lhe ofereceu acesso a garrafas raras e antigas que ele nunca teria sido capaz de experimentar por conta própria, algo que o ajudou a construir uma história intelectual sobre a Borgonha e seus vinhos.

Wasserman confiava em Kurniawan o suficiente para abrir um negócio com ele, como gerente do Hotel do Vinho, uma unidade de varejo e de armazenamento em Los Angeles que abriu em 2008. Quando começaram a surgir dúvidas sobre o envolvimento de Kurniawan na venda de vinhos falsificados, Wasserman o defendeu.

Na quinta-feira, Kurniawan, 35, foi preso sob a acusação de tentar vender vinhos fraudulentos, que, caso fossem genuínos, custariam cerca de US$ 1,3 milhões, e também por falsificar diversos tipos de vinho.

Mesmo assim, Wasserman queria acreditar que tudo não passava de um engano. Mas então ele viu as fotos.

Em uma audiência na sexta-feira, promotores apresentaram fotografias tiradas na casa de Kurniawan em Arcadia, na Califórnia, um subúrbio de Los Angeles, que mostravam o que eles disseram ser um laboratório utilizado para a fabricação de vinhos falsificados. As fotos mostravam resmas de etiquetas impressas de alguns dos vinhos mais caros do mundo, como o Chateau Petrus, Domaine de la Romaneee-Conti e Château Lafleur, bem como rolhas, folhas, carimbos com datas antigas e garrafas que os promotores disseram estar sendo preparadas como falsificações.

"Depois de ver essas fotos, eu precisei acreditar”, disse Wasserman. "Hoje, eu me sinto muito burro. Naquela época, havia sempre alguma explicação realmente plausível".

Por exemplo, depois de pagar milhares de dólares por vinhos raros em restaurantes, Kurniawan costumava pedir que as garrafas vazias fossem enviadas para sua casa. Em uma década em que a questão dos vinhos falsificados começou a assombrar muitos colecionadores, esse pedido levantava suspeitas, já que garrafas raras com etiquetas intactas poderiam facilmente ser preenchidas e vendidas de forma fraudulenta. Kurniawan explicava a prática dizendo que havia contratado um arquiteto para construir um santurário com elas, lembrou Wasserman.

Wasserman afirma que o Hotel do Vinho, que ele gerenciou de fevereiro de 2008 até o verão passado, era legítimo. A empresa não pode ser contatada para comentar o caso.

"O plano original era misturar meu conhecimento de vinhos jovens europeus com a coleção de vinhos antigos de Rudy", disse ele. "Felizmente, nunca chegamos a um vinho velho."

Kurniawan deixou alguns vinhos em consignação na loja, mas Wasserman os descreveu como vinhos de alto padrão da Califórnia que foram comprados diretamente dos produtores e ainda estavam em suas caixas originais.

Wasserman, que agora trabalhar com corretagem de vinho com a sua mãe e tem uma pequena editora, passou a se questionar sobre o que era ou não verdade. Parte dele ainda gostaria de acreditar no homem que conhecia. "Ele era simpático, generoso, inteligente, educado e uma personagem muito interessante", disse ele, acrescentando: "Eu não conheço muitos provadores tão bons quanto Rudy".

Contudo, o lado possivelmente falso de Kurniawan, segundo Wasserman, é algo que machuca muito mais profundamente do que o dinheiro que ele poderia ter perdido. Ele questiona se a história que apresentou sobre o passado da Borgonha foi baseada em mentiras.

"Ver um pedaço da sua vida desaparecer não é algo que possa ser chamado de legítimo", disse. "Isso é muito prejudicial para a magia do vinho."

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