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Bote inflável mais barato feito pelo grupo Ferretti vai levar oito pessoas e custar R$ 105 mil

A Ferrettigroup Brasil vai começar a fabricar, em abril, botes infláveis que custarão muito menos que os luxuosos iates da marca, de origem italiana. Os modelos, feitos em parceria com a Pirelli, mantêm o acabamento charmoso da Ferretti e terão preços a partir de R$ 105 mil. Para comparação, o iate mais barato da grife mede 53 pés e custa R$ 3,8 milhões – é o modelo que está sendo adquirido pelo jogador Neymar. Mas os barcos do grupo podem custar bem mais, como o Pershing (uma das oito marcas da Ferretti) de 115 pés comprado pelo empresário Eike Batista por 17,7 milhões de euros, cerca de R$ 40 milhões – estima-se que seja o barco de lazer mais caro do Brasil.

O barco pneumático é feito em parceria com a Pirelli:
Divulgação
O barco pneumático é feito em parceria com a Pirelli: "febre na Europa", diz CEO da fabricante
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“Os infláveis são uma febre na Europa”, afirma Marcio Christiansen, CEO e dono da Ferrettigroup Brasil, uma das grandes fabricante de iates de luxo do País (ao lado da Intermarine). O empresário paulista fundou a subsidiária do grupo Ferretti no início dos anos 1990 e, em 1997, comprou a parte que pertencia aos italianos e tornou-se dono de todo o negócio.

“O primeiro bote pneumático já foi vendido, para um empresário do ramo dos calçados, que é de São Paulo e vai usar o barco em Angra, mas a produção regular tem início em abril e os pedidos começam a ser entregues em maio”, diz o CEO.

Os modelos se chamarão Pirelli PZero e terão o casco feito na fábrica da Ferrettigroup, em Vargem Grande Paulista (SP), onde trabalham cerca de 620 funcionários. Serão fabricados três tipos de bote. O mais barato, de R$ 105 mil, leva oito pessoas e tem motor de 150 hp. Foi batizado de PZero P660 e, segundo a fabricante, é ideal para práticas esportivas. O intermediário é o P880 ( n a foto acima ), de 8,8 metros – os nomes equivalem sempre à centimetragem. Ele custa R$ 285 mil.

O modelo mais luxuoso será o PZero P1100. Vai custar R$ 645.000, na versão equipada com dois motores de 320 hp. A velocidade máxima será de 50 nós e o barco terá capacidade para 14 passageiros. Existe ainda um modelo chamado P1400, que chega a custar R$ 1.150.000, mas que não será fabricado no Brasil, por enquanto. "Vamos trazer um exemplar [ do P1400 ] para uma feira no Rio de Janeiro, em abril, para sentir o mercado", diz Christiansen.

A Ferrettigroup espera vender cinco botes infláveis por mês. "Os prováveis compradores são os próprios clientes que já temos, que poderiam adquirir um bote como segundo barco, para ser usado como apoio", diz o CEO.

O modelo 530, escolhido por Neymar: é o mais barato da marca e não custa menos que R$ 3,8 milhões
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O modelo 530, escolhido por Neymar: é o mais barato da marca e não custa menos que R$ 3,8 milhões
Negócios na China
No início de janeiro, a Ferretti anunciou que havia vendido 75% de seu capital para o grupo chinês Weichai, que fabrica equipamentos industriais, por cerca de 750 milhões de euros. O grupo italiano tinha uma dívida de 600 milhões de euros, que foi assumida e renegociada pelos asiáticos. O acordo não afeta diretamente a Ferrettigroup Brasil, que não pertence mais à Ferretti. Os negócios com a empresa europeia, que fornece moldes e projetos de novos barcos para a brasileira, devem continuar ocorrendo sem "solavancos" na troca de comando, afirma Christiansen.  

Ao contrário da Ferretti, a Ferrettigroup Brasil cresceu nos últimos anos. Em 2011, a empresa brasileira vendeu 47 barcos e faturou R$ 250 milhões, resultado 30% superior ao de 2010, quando tinham crescido 110% em relação ao ano anterior. Para 2012, a expectativa é vender 70 barcos e faturar R$ 350 milhões. "O ano mal começou e já vendemos 27 barcos, com preço médio de R$ 6 milhões cada", diz Christiansen.

Ainda assim, o acordo entre italianos e chineses foi visto como "um alívio" pelo empresário. "Mesmo sendo um negócio independente do Ferrettigroup Brasil, se a Ferretti viesse a quebrar muita gente iria ver o setor com desconfiança, achando que outros quebrariam também", afirma. Além disso, Christiansen teria de desenvolver ou comprar projetos próprios. "Muitas vendas estavam paradas, ao redor do mundo, por desconfiança dos compradores. O acordo com os chineses destravou essas operações", afirma.

O CEO vê a aquisição como um modelo que acabará sendo seguido por outros concorrentes na Europa. "Muitos estaleiros europeus estão em dificuldades e terão de buscar sócios", diz. "Esse foi apenas o primeiro negócio de vulto desse tipo no setor."