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Se vale à pena pagar R$ 2.500 numa passagem e viajar 24 horas para fazer negócio no outro lado do mundo? Compare os preços

É como se fossem seis estádios do Maracanã, um ao lado do outro, cheios de quinquilharias. Nos mais de 2.600 quilômetros quadrados de lojas de Yiwu , na China, são vendidos 320 mil produtos, segundo dados oficiais da província de Zhejiang. A cidade é conhecida como o maior mercado de bugigangas do mundo e, em um dia, é possível sair de lá escolher, encomendar, acompanhar a produção e ver o produto sendo despachado para qualquer lugar do mundo.

Não há estatísticas oficiais, mas os mercadores da cidade calculam que de lá saiam cerca de 70% das bugigangas do mundo. Em termos logísticos, são pelo menos 50 milhões de TEUs (containers de 28 metros cúbicos) vendidos a 125 países todos os anos.

Se vale a pena pagar R$ 2.500 numa passagem econômica e viajar 24 horas para chegar ao outro extremo do globo para fazer negócios?

Dentro dos complexos que abrigam mais de 53 mil estandes de lojas, compradores de diversos países afirmam, sem hesitar, que sim. “Sem dúvida,” diz uma compradora francesa, enquanto escolhe bijuterias. Uma das pulseiras que comprava, de acrílico com pequenos corações ou estampa de tigre, custa R$ 0,80 para quem encomendar pelo menos cinco mil unidades. Pode ser vendida a R$ 30 em Paris a unidade, o que lhe dá grande margem de lucro, mesmo depois de pagos transporte, alfândega e impostos.

No Brasil, peça similar custa R$ 9,90 na Rua 25 de março, em São Paulo, conhecida por sua concentração de lojas de utensílios para casa, bijuterias, eletrônicos, entre outras centenas de artigos de baixo custo. O valor é 50 vezes maior do que o pago por um comprador, no atacado, em Yiwu.

“Mas é preciso calcular impostos, taxas de alfândega, comissão da empresa de trading, margem de lucro do varejista e outros custos da loja”, afirma Ralph Deng, presidente da East Star, uma das companhias que assessoram brasileiros que compram de fabricantes chineses.

Para mostrar a diferença de preços na 25 de Março e em sua “mãe” chinesa, Yiwu, o iG selecionou 20 produtos.  Veja no infográfico abaixo quanto cada um deles custa na China, para a compra de 5 mil unidades.

A comparação pode dar uma ideia do preço pago pelo importador que vai até a China e do valor que ele vende ao consumidor final. Mas é preciso lembrar que ele paga impostos e diversos outros custos de importação para trazer os itens ao Brasil, além disso, também precisa arcar com as despesas de sua loja.

Desde o dia 27, o iG está publicando uma série de reportagens sobre como a China está se preparando para se tornar a maior economia do mundo . O portal revelou que o homem mais rico da China , que leva a vida sem nenhum glamour e trabalha doze horas por dia, seis dias na semana, tem planos de investir no Brasil. Também mostrou como é a Alibaba , a empresa na qual os jovens do país desejam trabalhar. Acompanhe, nos próximos dias, tudo sobre o Expedições iG - China .