Tamanho do texto

Companhias fazem prédios com academia, internet e restaurantes para manter os funcionários com conforto e por perto

Dormitórios da BYD, em Shenzhen: casas para os trabalhadores
Olívia Alonso
Dormitórios da BYD, em Shenzhen: casas para os trabalhadores
Veja fotos sobre os 90 anos do Partido Comunista na China .

Imagine morar perto do trabalho e não ter que gastar com transporte ou perder tempo no trânsito. Agora imagine morar em um apartamento pago pela companhia, a poucos minutos do local de trabalho, e não ter nem mesmo a despesa com moradia. Sem dúvidas, parece muito conveniente viver assim, e esta mania vem crescendo na China. Diversas grandes companhias estão oferecendo quartos para seus funcionários em prédios residenciais dentro de seus parques industriais.

Depois de a China ser alvo de críticas pelas péssimas condições de trabalho, grandes companhias tentam caprichar no cuidado com os trabalhadores. Entre elas, estão a Huawei, de telecomunicações, a BYD, de baterias, e empresas menores como a East Star, de importação e exportação.

Na sede da Huawei, em Shenzhen, onde trabalham 30 mil funcionários, há um hotel para visitantes de outras localidades e apartamentos residenciais que acomodam 350 trabalhadores. Há também um clube com piscina, quadras e mesas de ping-pong, biblioteca, academia, hospital e caixas de bancos. Quando o apartamento é muito distante do prédio de trabalho, há vans e ônibus disponíveis durante o dia inteiro.

“As moradias são apenas para os solteiros e mais novos,” diz Cassie Chen, relações públicas da companhia. Segundo ela, não é raro ver funcionários começando a namorar dentro das áreas comuns da empresa. “Eles acabam ficando muito juntos. Mas quando se casam, precisam mudar,” acrescenta.

Segundo as empresas, os funcionários não precisam dividir quartos e, em alguns prédios, têm também serviço de lavanderia e internet sem fio. Na BYD, os dormitórios ficam a cerca de 200 metros dos edifícios administrativos e unidades fabris, o que elimina a necessidade de meios de transporte para ir de um prédio a outro.

Huawei, em Shenzhen, tem apartamentos para 350 funcionários
Olívia Alonso
Huawei, em Shenzhen, tem apartamentos para 350 funcionários
Apesar de parecer ideal, a facilidade oferecida pelas companhias tem seus pontos desfavoráveis. Se, por um lado, fica fácil encontrar os colegas para reuniões, por outro fica difícil fugir do ambiente de trabalho para relaxar. Os universos particular e corporativo acabam se tornando um só e os funcionários não convivem muito com outras pessoas.

Muitas vezes, os parques industriais ficam distantes dos centros das cidades. “Eu até vou para restaurantes ou para encontros com amigos de fora da empresa, mas não dá para ir muitas vezes no mês, pois posso criar uma imagem ruim entre os colegas de trabalho e meus chefes,” diz um funcionário que não quis ter seu nome revelado. Ele trabalha numa companhia que também oferece apartamentos para os empregados.

Além disso, as horas extras acabam se tornando bastante frequentes. “Alguns dias da semana, acabo trabalhando muito além da carga horária, mas não tem problema, pois estou apenas a cinco minutos de casa,” diz outra trabalhadora, que também pediu para não ser identificada.

Desde o dia 27, o iG está publicando uma série de reportagens sobre como a China está se preparando para se tornar a maior economia do mundo . O portal revelou que o homem mais rico da China, que leva a vida sem nenhum glamour e trabalha doze horas por dia, seis dias na semana, tem planos de investir no Brasil . Também mostrou como é a Alibaba , a empresa na qual os jovens do país desejam trabalhar. Conheça também o maior mercado de bugigangas do mundo, em Yiwu , e a cidade que tem o metro quadrado mais caro da China . Veja tudo sobre o Expedições iG - China .