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De acordo com a avaliação feita pelo BNDES, Brasil terá investimentos de R$ 1,324 trilhão entre 2010 e 2013

A expectativa de investimentos no Brasil já superou os níveis anteriores à crise. A avaliação é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que mapeou os aportes projetados pela indústria, em setores de infraestrutura e na construção civil entre 2010 e 2013. Segundo o trabalho, o País terá investimentos de R$ 1,324 trilhão no período. O valor é 54,6% superior ao realizado entre 2005 e 2008. "Excluindo o choque de 2008, este é o mais longo ciclo de investimentos no Brasil em 30 anos", comenta o economista-chefe do BNDES, Ernani Torres.

De acordo com o mapeamento, praticamente todos os segmentos industriais apresentam apetite maior para investir do que em agosto de 2008, antes do estouro da crise. A exceção é o segmento de mineração, que tem carteira de projetos de R$ 52 bilhões até 2013, volume 27,7% inferior ao estimado naquela época. O coordenador do estudo, Fernando Puga, diz, porém, que os dados foram coletados antes do reajuste do preço do minério de ferro, que deve motivar a retomada dos investimentos no setor. Segmento voltado ao mercado externo, a mineração foi um dos que mais suspendeu projetos durante a crise, ao lado de papel e celulose e siderurgia.

A indústria, ao todo, prevê investimentos de R$ 549 bilhões no período, com grande destaque para a área de petróleo e gás, que terá aportes de R$ 340 bilhões, ou 25,7% do total projetado pelo BNDES. O valor considera as novas projeções de investimento da Petrobrás, que serão detalhadas no início de junho e, na opinião de Torres, deve contribuir para minimizar um dos possíveis gargalos ao crescimento brasileiro: o déficit em conta corrente. "As projeções de aumento do déficit não consideram que o Brasil será um grande exportador de petróleo no futuro", diz o economista.

Para ele, o crescimento do déficit é um dos principais fatores de risco nos próximos anos, ao lado da relação dívida/PIB e da tímida atuação de instituições financeiras privadas no crédito de longo prazo. Esse último é motivo de movimentações na área econômica do governo, que quer incentivar os bancos privados nesse segmento. Trem-bala. Segundo o BNDES, o segmento de infraestrutura terá investimentos de R$ 310 bilhões entre 2010 e 2013. O levantamento inclui as grandes hidrelétricas licitadas recentemente pelo governo e o trem-bala, que contribui com R$ 30 bilhões para o volume de investimentos em ferrovias, que chega a R$ 56 bilhões no período.

O BNDES mapeou ainda uma carteira de R$ 465 bilhões na construção civil, incluindo o mercado imobiliário e obras em estádios para a Copa. Infraestrutura e setores voltados ao mercado interno, como eletroeletrônicos e química, não sofreram grande baque na projeção de investimentos durante a crise. Torres credita o fato ao maior preparo do Brasil para enfrentar a turbulência. "O País foi montado para aguentar crises", afirma, citando como exemplos o conservadorismo do Banco Central e a política econômica desenhada com esse objetivo.

Para Torres, o ritmo dos investimentos garantirá as bases para que a economia mantenha um crescimento anual de 5% nos próximos anos. O estudo projeta ainda que a taxa de investimento deve atingir 22,2% em 2014, uma evolução ante os 19% atuais, porém 25% abaixo do considerado ideal para garantir crescimento sustentado no longo prazo.

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