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Washington, 11 fev (EFE).- Executivos de Wall Street que recorreram aos recursos disponibilizados pelo Governo dos Estados Unidos reconheceram hoje a enorme irritação do público com o desastre do sistema financeiro, e se comprometeram a restabelecer a estabilidade do setor.

No total, oito executivos de instituições financeiras foram convocados nesta quarta-feira à audiência para prestar contas sobre o uso que fizeram dos US$ 165 bilhões recebidos do Congresso.

O valor faz parte do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões que o Congresso aprovou em outubro de 2008 para que, através do Departamento do Tesouro, fosse enfrentada a crise de liquidez dos bancos.

No início da audiência, o presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, Barney Frank, pediu que cooperassem "de boa vontade" e dessem sinais à opinião pública de que não só entendem a "irritação", mas que "estão dispostos a fazer sacrifícios para que isto funcione".

Desta forma, o principal executivo do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, afirmou que jamais tinha visto "um abismo maior entre a indústria de serviços financeiros e o público".

Blankfein reconheceu a "enorme irritação do público" com o colapso do setor financeiro no ano passado e a contínua percepção da opinião pública, às vezes "com razão", de que "Wall Street perdeu de vista suas amplas obrigações públicas".

Os contribuintes "querem que administremos nossos gastos cuidadosamente e forneçamos transparência sobre como estamos utilizando seu dinheiro para reativar a economia", admitiu Kenneth Lewis, executivo do Bank of America, um dos que mais receberam recursos federais.

Por sua vez, o principal executivo do Morgan Stanley, John Mack, disse que a crise de liquidez de Wall Street deixou evidente a urgência de "uma mudança profunda" no sistema.

Já Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, destacou que apoia uma proposta para a criação de um órgão que supervisione os mercados financeiros americanos, enfatizando os riscos ao sistema. EFE mp/db

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